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Quarta, 25 de outubro de 2006, 15h49 
Lula é fonte de admiração e desilusão em seu berço político
 
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Um misto de paixão e decepção. É basicamente esse o sentimento cultivado por alguns moradores de São Bernardo do Campo pelo presidente-candidato Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que iniciou sua carreira política na cidade do ABC paulista.

A trajetória do torneiro-mecânico, de origem nordestina, que se tornou líder sindical e alcançou a Presidência foi capaz de cativar admiradores fiéis, mas o envolvimento do governo Lula em denúncias de corrupção minou a esperança de alguns deles e despertou duras críticas por parte de outros.

Num dos bairros em que já viveu em São Bernardo, o Jardim Lavínia, o nome Lula causa reações díspares. Maria Helena Rado Albanez, 53 anos, aposentada como professora, só guarda boas lembranças do então presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de São Bernardo do Campo que a incentivou a continuar o supletivo. Lula esteve à frente do sindicato entre 1975 e 1980.

Jovem, grávida e com uma filha pequena, em 1978 ela não estava mais conseguindo pagar a mensalidade dos estudos no sindicato e decidiu pedir ajuda a Lula até que tivesse condições de retomar os pagamentos. "Ele falou: companheira, vai, vai estudar. Você não pode parar, a gente quer pessoas como você: uma mulher de fibra, de coragem. Vai firme que Deus vai te ajudar", recordou ela, chorando.

Desde então, a admiração pelo presidente só aumentou. "Ele ficou muito mais esclarecido, fala muito melhor, criou uma grande maturidade, mas aquela pessoa grande que tem no coração dele ainda existe. "Vejo muita sinceridade no olhar dele", declarou ela, que na adolescência trabalhou com a primeira-dama, Marisa Letícia, numa fábrica de chocolate, também em São Bernardo. "A gente era muito simplesinha, de chinelinho Havaianas, touquinha na cabeça, e a Marisa dava um duro danado, tinha vários irmãos, tinha uma vida difícil também."

A aposentada acredita que ele errou gravemente "na escolha desses companheiros que arrumou". Essa confiança em Lula é compartilhada com a filha, Cláudia Jaqueline Albanez, 33 anos, dentista: "A elite não quer que um proletário tome o poder, porque ele vai pensar no pobre".

As duas estão entre os 214.271 eleitores de São Bernardo que votaram em Lula no primeiro turno, ou 50,96 por cento dos votos válidos, segundo o Tribunal Regional Eleitoral. Apesar da preferência pelo petista na cidade, o prefeito é William Dib, do Partido Socialista Brasileiro (PSB), legenda que no segundo turno apóia formalmente a campanha da reeleição.

Rose Rodrigues Silva Morelli, 39 anos, diretora da Escola Estadual "Dr. João Firmino Correia de Araújo", onde Lula vota, descreveu o presidente como uma pessoa simples, atenta, e que "olha nos olhos das pessoas", mas se mostrou desapontada com as denúncias de corrupção. "O Brasil tem tanto potencial para crescer e não vai para frente por causa da corrupção."

Na grande casa de esquina e de dois andares em que Lula viveu à época da fundação do PT, na rua Maria Azevedo Florence, mora atualmente Alexandre Garcia Rendeiro de Carvalho, 27 anos, desempregado. Embora considere o governo atual melhor que o último mandato de Fernando Henrique Cardoso e destaque em Lula características como "inteligência", "poder de persuasão" e "carisma", ele engrossa o coro dos que acham que governo do PT poderia ter obtido resultados melhores.

"Por excesso de receio, ele não aproveitou a onda mundial de crescimento, não baixou os juros e não aprovou reformas necessárias", concluiu Carvalho, que acha que as pessoas que ainda acreditam em Lula querem se enganar.

Companheiro distante
Para Douglas Chacon, 69 anos, aposentado, que mora na casa praticamente em frente à que Lula vivia e, como ele, foi metalúrgico e se apresenta como um dos fundadores do PT, a frustração é grande. "O safado só vem aqui para votar. Ele esqueceu dos amigos", contou Chacon.

Ele também não poupou críticas ao governo. "Ele só viaja, só gasta. Corrupções à solta. Ele teve sorte, não caiu. Se ele bobear, vem uma ditadura logo, logo aí. Se bobear, fecha o Congresso." Mesmo assim, Chacon quer que ele vença a eleição. "Vou votar no safado ainda. Ele é um cara inteligente."

Já Orlando Andreatta, 69 anos, aposentado, trabalhou com Lula como metalúrgico nas Indústrias Villares, em São Bernardo, e crê que a Presidência não mudou a personalidade do ex-colega. "Ele continua sendo aquele camarada que eu conheci trabalhando em firma", disse ele por telefone.

Andreatta credita os escândalos da administração Lula à falta de preparo, inclusive na hora de escolher os parceiros. O aposentado, que votará em Lula no próximo domingo, espera uma postura diferente em um provável segundo mandato.

No tradicional restaurante São Judas Tadeu Demarchi, localizado no bairro Demarchi, um dos locais onde foi articulada a criação do PT e lançada oficialmente a campanha pela reeleição, Osmar Tadeu Demarchi, 52 anos, um dos proprietários, sustentou que o presidente foi enganado.

"Por isso que voto no homem e não no partido. Achei um escândalo muito grande, para mim foi uma surpresa, mas todos (os culpados) pagaram", afirmou ele por telefone, acrescentando esperar que, se reeleito, Lula baixe a taxa de juros e mantenha as políticas sociais.
 

Reuters

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