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Minas Gerais
Terça, 24 de outubro de 2006, 13h51 
MG: Segurança, emprego e saúde preocupam eleitores
 
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Os votos do segundo maior colégio eleitoral do País estão sendo disputados com afinco na reta final da campanha presidencial. Geraldo Alckmin (PSDB) e Luiz Inácio Lula da Silva (PT) estiveram em Minas Gerais na semana passada, e Alckmin, que já visitou 17 cidades mineiras, volta ao Estado nesta terça (24). Estão em jogo os votos de 13,7 milhões de eleitores, sendo 1,74 milhão em Belo Horizonte.

Com base nos dados da Justiça Eleitoral, a Rádio UFMG Educativa, da Universidade Federal de Minas Gerais, realizou estudo sobre o resultado do primeiro turno em Belo Horizonte. A exemplo do que aconteceu em grande parte do País, na região mais pobre da cidade, Lula teve mais da metade dos votos válidos (51,1%), e Alckmin, 33,6%. Na área mais rica, o resultado foi invertido, com diferença ainda maior: 55,4% a 25,1% para Alckmin. Na média, o petista obteve 44,5%, e o tucano, 39,4%.

Na última sexta-feira, a reportagem da Agência Brasil percorreu alguns dos bairros citados no estudo. Nas regiões pobres, onde Lula venceu, encontrou revolta com a situação do sistema público de saúde. Nos bairros ricos, onde Alckmin teve maioria, as pessoas temem a violência. A preocupação comum é o desemprego, citado em toda parte.

"Uma das coisas que mais me preocupam aqui é a questão da segurança. Está difícil", afirma a administradora de empresas Wanice Almeida, 38 anos, que encontramos na saída de um dos principais shoppings da capital mineira freqüentados pela classe alta local.

Sacola de compras a tiracolo e usando óculos escuros da marca Sérgio Tacchini (um modelo à venda numa loja de Brasília custa hoje R$ 459), Wanice demonstra receio na hora de ir até a rua para ser fotografada, por exigência dos seguranças do shopping. Retoca o batom antes de se decidir.

A administradora hesita quando é questionada sobre o que o futuro presidente poderia melhorar na sua vida. Fala da necessidade de gerar empregos e perspectiva de futuro para a população. Segundo ela, os programas de transferência de renda como o Bolsa Família, do governo federal, são insuficientes: "Coisas que para esse público são importantes não fazem o crescimento do País".

Do outro lado da Cidade, no bairro pobre de São Geraldo, uma senhora com o dobro da idade de Wanice atravessa lentamente as ruas com suas sacolas cheias de verduras, legumes e frutas. Segue na velocidade que a idade, 75 anos, e a saúde permitem. Com os dentes debilitados e a voz cheia de rancor, reclama da aposentadoria, do preço dos remédios e da carne, que não come por falta de dinheiro. Não é obrigada a votar, por causa da idade, e não faz a menor questão: "Não voto em ninguém".

Outro morador de São Geraldo, Cléber Chacon, 58, é aposentado por invalidez. Para ele, o principal problema em Belo Horizonte é a saúde. "É uma vergonha. Você vai num médico, pede um exame e vai conseguir o resultado em dois meses. Aí retorna no médico e nem adianta mais", lamenta.

A seguridade social é outra preocupação. "Muitas coisas melhoraram nos últimos anos, mas estou chateado com a situação dos aposentados e pensionistas. Quando me aposentei, pagava contribuição sobre três salários mínimos. Hoje não ganho nem dois. Teria que ganhar mais de mil reais, pelo que contribuí", reclama. Chacon recebe cerca de R$ 500 mensais pouco menos de um salário mínimo e meio.

A diarista Cláudia Martins, 31, recebe R$ 45 mensais do Bolsa Família para ajudar a sustentar quatro filhos. Ela também vê problemas na saúde pública, mas está descrente. "Eles (os políticos) falam demais, é sempre a mesma coisa. Não muda nada."

E, quando falam, não adianta nada, na avaliação de Kenya Aparecida, 21 anos, vizinha de Cláudia: "Eles não fazem nada do que prometem". "Depois que sobem lá, não fazem nada do que prometeram. O poder sobe à cabeça, aí vem corrupção, lavagem de dinheiro."

Kenya está desempregada e diz que adoraria receber o Bolsa Família para sustentar os dois filhos. O pai de um morreu e o do outro não dá pensão, segundo ela. A maior preocupação, agora, é não dar "vexame" na hora de votar, como no primeiro turno. "Não sabia mexer naquela maquininha. Agora já aprendi. Antes era muita coisa: governo federal, estadual, não sei o quê. Agora é só presidente. É aquele lá  Geraldo, né? e o Lula. Já sei em quem vou votar, então fica mais fácil."
 

Agência Brasil