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Eleições 2006
Terça, 24 de outubro de 2006, 02h15 
No terceiro debate, Lula e Alckmin tentam mostrar diferenças
 
Mair Pena Neto e Vladimir Goitia
 
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No terceiro debate que travaram pela televisão, os candidatos à Presidência Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Geraldo Alckmin (PSDB) procuraram mostrar mais suas diferenças na tentativa de capturar novos votos a cinco dias da eleição.

Mesmo com os ataques e ironias, os dois deixaram claro que pensam de forma oposta, principalmente em relação à política externa e aos gastos públicos.

A política externa foi um dos pontos que mostrou mais diferenças conceituais entre os candidatos no debate na TV Record.

Lula enfatizou as conquistas do multilateralismo e Alckmin deixou clara sua opção por uma aproximação maior com os Estados Unidos.

"O Brasil viu os Estados Unidos fazerem acordos aqui do lado e ficou isolado", criticou Alckmin. "Vou privilegiar mercados mais dinâmicos, economias fortes. Os Estados Unidos são a maior economia, a mais aberta (...) e estamos tendo perda de mercado com os EUA fazendo acordos bilaterais com os nossos vizinhos", acrescentou.

Lula defendeu a sua política externa multilateral e a prioridade que deu ao Mercosul.

"O Brasil passou a ser protagonista e não coadjuvante", afirmou Lula. "Depois que criamos o G20 poucas reuniões no mundo acontecem sem que o Brasil seja chamado", comentou, destacando as vitórias do país na Organização Mundial do Comércio (OMC) contra os subsídios ao açúcar, na União Européia, e ao algodão, nos EUA.

Lula destacou ainda as parcerias com a China, a Índia e a África do Sul e relacionou o aumento das exportações brasileiras para todos os blocos.

"As exportações subiram 96 por cento. Para os Estados Unidos, 46 por cento; para o Mercosul, 254 por cento. O Brasil não está mais de cabeça baixa para os EUA", disse Lula.

GASTOS

Sobre o crescimento do Brasil, Lula sugeriu um debate entre os principais economistas do PT, PSDB, PMDB para que alguém pudesse dizer em que momento da história do país houve um conjunto de fatores tão positivos. Lula citou as exportações, importações e o salário.

"O povo sabe que a ''coisa'' está tão bem arrumada que agora acredita que o país pode crescer 5, 6 ou 7 por cento ao ano, e vai crescer por dez ou 15 anos, porque nós não inventamos nenhuma mágica", disse o petista.

Alckmin insistiu em dizer que havia muita diferença entre os dois. "O candidato Lula acha que está tudo uma maravilha, crescer dois por cento ao ano esta bom", ironizou.

O tucano citou a crise na agricultura e afirmou que, depois da eleição todos os preços de alimentos (arroz, feijão, trigo) estarão disparando.

Lula rebateu a eficiência de gestão apregoada por Alckmin perguntando por que o governador de São Paulo, Cláudio Lembo (PFL), teve que paralisar obras por conta de rombo de 1,2 bilhão de reais.

"O Estado de São Paulo tem déficit publico zero há 12 anos, contas em dia e 10 bilhões de reais em caixa", contestou Alckmin, acrescentando que tudo foi feito sem elevar impostos.

Lula contra-argumentou que a carga tributária aumentou de 6,48 para 7,44 por cento no governo de Alckmin.

O tucano aproveitou o tema para invocar um suposto superfaturamento nas obras de ampliação do aeroporto de Congonhas, em São Paulo, ao que Lula respondeu levantando certas suspeitas.

"O Ministério Público funciona muito rápido durante as eleições", ironizou o petista. "Não tem nenhum julgamento do Tribunal de Contas. Não dá para resolver as denúncias durante o processo eleitoral, que é o que você quer. Suas ilações são muito maiores que as próprias denúncias", refutou Lula, assegurando que as obras ainda não tinham sido pagas. "Se estiver errado, não paga e acabou."

Segundo Alckmin, as obras foram pagas.

TOM DO DEBATE

A troca de acusações elevou o tom do debate e Lula desafiou a discutir assuntos do interesse da sociedade e as desigualdades do país, mas Alckmin partiu para o ataque ao lembrar os escândalos no governo e o baixo crescimento econômico.

"Aliás, essas são duas marcas do atual governo, parado na economia e acelerado nos escândalos. O Brasil não pode continuar assim", disse o tucano.

O presidente-candidato rebateu afirmando que havia grande diferença entre o governo dele e o anterior, já que não havia uma única denúncia apurada. "Doa a quem doer, atinja a quem atingir."

Alckmin disse que Lula cortou 1,5 bilhão de reais da saúde e relacionou o que classificou de "situação gravíssima" nos hospitais do Rio de Janeiro.

"Quem te deu a informação talvez não mereça crédito, se for quem eu estou pensando", disse Lula, numa referência clara ao ex-governador do Rio, Anthony Garotinho, aliado de Alckmin no segundo turno.

DESAFIO

Alckmin perguntou sobre as acusações de que acabaria com Bolsa Família, com a Zona Franca de Manaus e que privatizaria o Banco do Brasil, a Petrobras, os Correios e a Caixa Econômica federal.

Lula disse que se baseava na história do PSDB e reafirmou que Alckmin quer privatizar até o avião da presidência.

"Você pagou 130 milhões de aluguel de avião, mais do que o que eu paguei", afirmou Lula.

Alckmin respondeu e desafiou Lula a chamar toda a imprensa para ver se o gasto com aluguel de aviões era verdade ou mentira.

O debate esquentou durante o bloco das perguntas dos jornalistas aos candidatos. Quando indagado sobre qual seria seu principal defeito, como homem público, Alckmin atacou Lula.

"Certamente que tenho muitos defeitos, roubar não. Quero olhar nos olhos de vocês... roubar não", disse, arrancando algumas manifestações na platéia de convidados.

Ao lembrar o ex-governador Mario Covas, disse que não joga culpa nos outros. "Se alguém errar no meu governo, fui eu que errei, porque eu que o coloquei lá. Eu não sou dos que para livrar a própria pele joga amigos na fogueira", acusou Alckmin.

Indagado sobre qual seria a principal virtude ou qualidade de seu adversário, Lula retrucou. "Eu via mais virtudes no Alckmin antes de começarem os debates. Ele está demonstrando ser uma figura que eu não conhecia", disse o petista, ao se referir à agressividade do tucano.
 

Reuters

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