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Terça, 24 de outubro de 2006, 00h33  Atualizada às 03h19
Lula destaca política social; Alckmin ataca dossiê
 
Lucas Lima/Terra
Clima foi civilizado antes do início do debate
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No terceiro debate do segundo turno, realizado nesta segunda-feira pela TV Record, os candidatos à Presidência Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Geraldo Alckmin (PSDB) voltaram à discussão áspera e às trocas de acusações. Na reta final da eleição, Lula enfatizou seus projetos e ações na área social, enquanto Alckmin voltou a adotar uma tática mais agressiva e cobrou do presidente esclarecimentos no caso do dossiê de Cuiabá.

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Lula também insistiu na crítica às privatizações do governo do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, apresentou dados de sua gestão e os comparou aos do governo anterior. Já Alckmin preferiu destacar as realizações de sua gestão em São Paulo e assumir o compromisso de estender os programas do governo paulista ao resto do País.

No que se refere às denúncias de corrupção envolvendo o governo federal, o tucano voltou a perguntar ao presidente a origem do dinheiro que seria utilizado por petistas na compra do dossiê. Ele criticou ainda os cortes na Saúde feitos pela atual gestão e a denúncia de superfaturamento nas obras do aeroporto de Congonhas. O ex-governador acusou Lula de mentir na questão das privatizações.

Logo no início, Alckmin questionou Lula a respeito dos escândalos envolvendo membros do PT muito próximos a ele. O presidente rebateu, dizendo que faz parte de um governo que "apura e investiga". O petista contra-atacou citando as 69 CPIs barradas pelo governo paulista. "Meu governo não engaveta uma única denúncia. É só aparecer que elas serão apurados", disse.

Em sua vez, Alckmin contestou o presidente. "Se há tanto apreço pela investigação por que não dizer à população de onde vem o R$ 1,7 milhão do dossiê?". Lula se defendeu dizendo que o povo repudiou o tipo de comportamento do tucano.

O petista abordou a atual conjuntura da indústria naval brasileira para questionar o adversário, ao que Alckmin respondeu defendendo a atuação do governo anterior no setor e acusando o petista de não privilegiar o setor produtivo. O tucano disse que a atual gestão criou o Bolsa Banqueiro e criticou a invasão de produtos chineses no mercado nacional.

Para responder, Lula voltou a utilizar a ironia dos debates anteriores. "Esses banqueiros são ingratos. Receberam tanto de mim e votam no Alckmin", disse. "Prefiro banqueiros com lucros a criar um novo Proer". O Brasil tem superávit comercial com a China. Ele ainda ressaltou o crescimento da geração de emprego no País em relação ao governo anterior.

O corte de gastos públicos marcou a principal divergência entre os candidatos. Enquanto Lula insinuava que a proposta de Alckmin de "choque de gestão" implicaria redução de investimentos sociais, Alckmin disse que, sem cortes de desperdícios, o País não cresceria.

Durante o segundo bloco, os candidatos focaram a discussão na gestão pública. Lula questionou o adversário a respeito da contenção de gastos no governo paulista. Alckmin usou, em seu contra-ataque, a denúncia de superfaturamento nas obras do aeroporto de Congonhas.

Ao ser questionado a respeito do tema educação por Lula, que citou o ProUni, Alckmin respondeu usando como exemplo suas realizações no governo de São Paulo. "Minha prioridade será investir na educação básica, no ensino médio. Trazer os adultos que não puderam estudar de volta ao ensino", afirmou.

Em nova intervenção, Alckmin voltou a acusar o atual governo de promover cortes na saúde. Lula recorreu a dados para contestar o adversário. "Acabamos de fazer um decreto estabelecendo o decreto de atendimento domiciliar a idosos neste País", disse. "Estamos dando cidadania às pessoas", completou.

No bloco destinado às perguntas dos jornalistas, Lula foi instado a apontar pontos positivos de seu adversário. O presidente disse que via mais virtudes em Alckmin antes dos debates. "Não sei o que aconteceu ultimamente que eles (os membros do PSDB) andam meio nervosos", ironizou.

Estimulado a falar sobre seus defeitos, Alckmin voltou a enumerar os escândalos que atingiram o governo. "Tenho muitos defeitos, mas roubar, não. Não justifico erros com erros do passado. Se me perguntassem de onde veio o dinheiro (do dossiê), olharia nos olhos do povo brasileiro. Chamaria pessoas que conheço há décadas, perguntaria e diria ao povo", respondeu, referindo-se ao escândalo do dossiê.

Nas demais rodadas de perguntas dos jornalistas, o petista e o tucano foram obrigados a abordar os pontos fracos de suas candidaturas. Lula teve de falar da baixa popularidade entre a classe média que tem sido registrada nas últimas pesquisas. Alckmin foi questionado a respeito da vantagem do adversário nos levantamentos realizados no segundo turno.

O tucano minimizou o impacto das últimas pesquisas na sua candidatura. "No primeiro turno, foi a mesma cantilena. Na hora que abriu a urna, tive mais de 41%", disse. "A discussão é quem pode fazer mais pelo País. O PT já teve sua chance", completou.

Lula negou que tenha abandonado a classe média durante seu mandato. Segundo o presidente, os trabalhadores obtiveram aumentos reais sob suas gestão. Lula lembrou que, pela primeira vez em 23 anos, as empresas cresceram mais que os bancos.

O momento mais tenso do debate ficou por conta das privatizações. Lula disse que a as ações do PSDB no governo o levam a cogitar novas possibilidades de vendas de estatais. Alckmin acusou o presidente de mentir a respeito do tema. Voltou a criticar os gastos com o Aerolula e desafiou o petista a provar que ele, quando governador, utilizou a verba com viagens que vem sendo difundida pela campanha do adversário.

As supostas ligações do filho de Lula Fábio Luís Lula da Silva com o lobista Alexandre Paes dos Santos e os negócios da Gamecorp, empresa da qual Fábio Luís é sócio, não foram tratadas no debate. Havia apreensão na equipe petista a respeito da reação do presidente caso o assunto fosse levantado. Parte da coligação que apóia Alckmin defendia o uso do tema no debate.

Ao final do debate, os candidatos agradeceram aos telespectadores e fizeram novos apelos aos eleitores. Lula disse que será necessário ter bom-senso para cuidar dos brasileiros. Alckmin, por sua vez, enfatizou a necessidade de construir um novo futuro.
 

Redação Terra