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Amapá
Segunda, 16 de outubro de 2006, 15h50  Atualizada às 16h15
Capiberibe denuncia "derrame de dinheiro" no Amapá
 
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O PSB e o Ministério Público Federal do Amapá deram entrada em cinco processos contra o governador eleito Waldez Góes (PDT) e um processo contra o senador José Sarney (PMDB), com acusações de compra de votos, abuso do poder econômico e utilização da máquina do governo estadual para manipular o resultado das eleições.

O ex-governador do Amapá João Capiberibe (PSB) afirmou que houve "um verdadeiro derrame de dinheiro" no primeiro turno das eleições daquele Estado. Capiberibe concedeu entrevista coletiva na residência do governador José Reinaldo Tavares, em São Luís. O político do Amapá estava acompanhado de sua esposa, a deputada federal Janete Capiberibe, recém-eleita, e da candidata do PSB ao Senado, Cristina Almeida.

A assessoria de Góes disse que ele não deverá se pronunciar sobre o assunto por enquanto, por se tratar apenas de alegações infundadas feitas pelo candidato derrotado. O governador está realizando viagem pelo Estado.

Não foi possível entrar em contato com Sarney. Sua assessoria declarou que "ele (Capiberibe) que é o especialista em compra de votos" e disse, também, que o senador não irá se pronunciar oficialmente sobre o assunto.

De acordo com Capiberibe, comerciantes da cidade de Pracuúba denunciaram moradores da cidade que, no dia da eleição, tentaram fazer compras de pequeno valor pagando com cédulas de R$ 50 que tinham recebido de cabos eleitorais ligados a Góes. O candidato foi reeleito com 160.150, 53,8% dos votos válidos.

Segundo Capiberibe, José Sarney conseguiu cadastrar e mapear todas as famílias de eleitores dos 16 municípios do Estado. O senador reeleito do Amapá identificou todas as famílias cadastradas no programa Bolsa Família e seus cabos eleitorais fizeram um trabalho de boca de urna muito organizado, nunca antes visto no Estado. "Muitos títulos eleitorais foram comprados e foram realizadas várias transgressões às leis eleitorais, como a utilização de escolas da rede pública estadual de educação para a realização de almoços e comícios", disse ex-governador.

Cristina Almeida, candidata do PSB ao Senado, afirmou que a luta dela e do ex-governador Capiberibe foi desigual. "Dos 21 partidos existentes, 20 deles apoiaram a candidatura do senador Sarney, apesar de terem lançado alguns candidatos 'laranja' a senador. Nós tínhamos pouco mais de um minuto por dia na TV, enquanto Sarney e o governador tinham mais de seis minutos diários", disse a ex-superintendente do Incra do Amapá.

"Os processos abertos pelos promotores federais estão repletos de provas e evidências que comprovam as ilegalidades cometidas na campanha tanto do governador Waldêz Góes, como do senador José Sarney", finalizou Capiberibe, que obteve 112.486 votos válidos (37,78%). O ex-presidente Sarney foi reeleito senador pela terceira vez consecutiva no Amapá e obteve 152.486 votos, seguida de Cristina Almeida, com 123.378 votos.


 

Redação Terra