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Mato Grosso do Sul
Sábado, 7 de outubro de 2006, 13h19  Atualizada às 14h25
Severino Xic-Xic imita Jânio, mas perde eleição
 
Graciliano Rocha
Direto de Campo Grande
 
Divulgação
Severino Xic-Xic, do PV, tentou ser uma espécie de reencarnação de Jânio Quadros.
Severino Xic-Xic, do PV, tentou ser uma espécie de reencarnação de Jânio Quadros.
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A ousadia para chamar a atenção não se transformou em votos para os candidatos que deram um toque de excentricidade à eleição de Mato Grosso do Sul. Eles apostaram suas fichas em nomes estranhos, performances curiosas e muitas vezes propostas que resvalaram no estapafúrdio. Brilharam na TV, mas não nas urnas. Severino Xic-Xic (PV) escolheu fazer de si uma espécie de reencarnação de Jânio Quadros. Seu material de campanha, um santinho fotocopiado, trouxe sua imagem com frondoso bigode, cabelo repartido de lado e uma vassoura com a qual prometia varrer a Assembléia Legislativa.

Vindo do agreste pernambucano, Xic-Xic vive em Campo Grande há mais de 30 anos e já é um veterano de campanhas: em 2000, teve 60 votos para vereador; em 2002, tentou chegar à Assembléia, foi melhor, 170 votos. O candidato contou que, antes da campanha começar, "uma luz" lhe revelou que seria eleito. A "luz" foi a mesma que lhe soprou a letra do jingle de campanha, ao qual ele emprestou a própria voz - "por um milagre irei vencer porque sou pobre que nem você", diz trecho da cantoria, que também aconselhou os pobres a não votar em "tubarões". No domingo teve 256 votos.

Voto de peso e o fura-fila
Houve casos em que os candidatos aproveitaram o horário de televisão para apresentar propostas que oscilaram entre o espantoso e o inconstitucional - às vezes as duas coisas.

A candidata Rosineia Silva de Carvalho, a Neya, do minúsculo PHS, queria se tornar deputada estadual para criar uma lei obrigando os postos de saúde e hospitais a atender primeiro as empregadas domésticas. A promessa provavelmente nunca seria cumprida, já que a Constituição Federal assegura a todos o acesso igual à saúde. Mesmo assim, convenceu 36 pessoas.

Sua colega de partido, Regina Rodrigues, concorreu à Câmara dos Deputados com propostas de olho num eleitorado de peso. Regina prometeu criar clínicas para tratamento de obesidade "em todas as capitais brasileiras". Teve um desempenho raquítico: 632 votos.

Henrique Martini, do Psol, prometia reestatizar a Enersul, concessionária de energia elétrica privatizada nos anos 90. Com minguados segundos na TV não conseguiu explicar como é que conseguiria fazer isso na Assembléia Legislativa. Conseguiu 253 votos.

Moore, Roger Moore
No semi-árido de propostas razoáveis, alguns apostaram nos apelidos pitorescos. Rogério Costa Nemir (PHS) achou que seu nome não tinha o apelo necessário para a disputa eleitoral. Pegou carona na projeção do mais famoso agente secreto do cinema. Adotou para a campanha "Roger Moore", um dos atores que imortalizaram o mais famoso agente secreto do cinema, James Bond, o 007 - algarismos, aliás, que enfeitaram o seu número eleitoral.

Roger Moore estava esperançoso que poderia chegar lá graças ao comportamento imprevisível do eleitor. "Depois que um pipoqueiro ganhou uma eleição no Rio com 200 mil votos, não sei o que se passa na cabeça do eleitor". Não chegou nem perto. Teve 65 votos.
 

Redação Terra