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Pernambuco
Sexta, 6 de outubro de 2006, 10h27 
Sanduíche-íche prejudicou campanha de Ruth Lemos
 
Liana Pithan
 
Divulgação
Ruth Lemos ficou conhecida por entrevista
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A candidatura da nutricionista Ruth Lemos (PPS) a uma vaga na Assembléia Legislativa de Pernambuco chegou a ser classificada como uma tentativa de tirar proveito político de sua desastrada entrevista para uma afiliada da TV Globo, que ficou famosa pela divulgação na Internet. A insinuação, compreensível diante de um cenário repleto de candidatos exóticos, é rejeitada com firmeza pela nutricionista. E mais. Ela atribui ao episódio, conhecido como entrevista do sanduíche-íche, parte da responsabilidade por não ter obtido mais votos. "Aquilo só causa preconceito, porque me coloca numa situação de alguém limitado, sem potencial, sem formação. Como eu ia tirar partido? Se provocou alguma coisa, foi prejuízo", destaca, sem esconder o incômodo. Na malfadada entrevista, Ruth falava o tempo todo repetindo o final das palavras porque, segundo ela, ouvia a própria voz com atraso através do ponto eletrônico.

» Mulher do "sanduíche-íche" é candidata a deputada

Fama na Internet
Quem assistiu à cena, e inevitavelmente riu, deparou-se com uma outra Ruth na propaganda do horário eleitoral gratuito. Firme e seriíssima, ela contrasta com a entrevistada de gaguejar incontrolável, "estilo" este que alguns "fãs" sugeriram em blogs e comunidades do Orkut que ela usasse para conquistar eleitores. Longe de querer ligar sua candidatura ao célebre embaraço fonológico, a candidata avalia que os 1.160 votos que recebeu, embora insuficientes para obter a vaga de deputada, foram uma vitória diante da modéstia de sua campanha e da imagem equivocada transmitida pela entrevista, ao qual ela se refere como "o ocorrido".

"Consegui cada um dos votos no corpo-a-corpo, de porta-em-porta, falando com as pessoas. Quem votou em mim conhece quem eu sou de verdade e conhece o meu trabalho", diz, garantindo que nenhum voto recebido se deveu à notoriedade repentina. "Eu acredito é na política de proposta, não na política de onda. Se fosse pela onda da Internet, eu teria sido eleita", afirma.

Estímulo e críticas
Porém, ela admite que o reconhecimento público, mesmo que por meio constrangedor, ajudou a levar adiante o plano de ingressar na política, que acalentava havia anos. "Antes, era uma idéia remota, porque ter o nome conhecido é o primeiro passo para começar a vida política, e isso é muito difícil. Ficar conhecida ajudou a levar adiante essa alternativa", relata. Por conta da repercussão da entrevista, Ruth também foi convidada para protagonizar o comercial de uma operadora de telefonia, desta vez, simulando a gagueira original.

A nutricionista revela que sua candidatura foi mal recebida por alguns pernambucanos. "Teve uma pessoa que perguntou: 'O quê é que Ruth Lemos sabe de política?'", lembra. E sentencia: "Se a política de que ele fala é essa que muitos (desonestos e corruptos) estão praticando por aí, então eu não quero entender nada. Eu acredito que política é trabalhar pelo social e não tirar de que já não têm". Ela, porém, reconhece sua falta de experiência, "mas todos os que estão hoje na política começaram um dia. E quanto se começa, há muito que aprender", pondera.

Vontade de fazer política
Assim como outros novatos na área, Ruth evita o ataque direto, não dá nome aos maus políticos nem descreve condutas específica na vida pública que considera condenáveis. Ela prefere a defesa de que o Brasil tem jeito, desde que haja a "conscientização de todos" e de que "os eleitores coloquem no poder pessoas íntegras e que querem trabalhar".

A vontade de entrar na vida pública, ela conta, partiu da intenção de realizar projetos sociais que individualmente não são viáveis. Sua plataforma prioritária, destaca, é tirar as crianças das ruas. "É impossível conseguir justiça social e combater a violência sem tirar as crianças das ruas e levá-las para as escolas. A rua não tem nada para oferecer. Uma criança na rua, na maioria das vezes, é um futuro marginal", adverte. Ela acrescenta que pretendia propor a instalação de turnos integrais nas escolas, em que os alunos tivessem tanto educação formal quanto lazer. Outra proposta da candidata seria a redução do imposto de alimentos essenciais, como pão. "O alimento básico do pobre aqui é o fubá (farinha de milho). Porque eles não têm dinheiro para comprar nem um pãozinho. O pão tem um percentual altíssimo de imposto", protesta Ruth Lemos, que preside o Conselho Regional de Nutricionistas e foi presidente da Associação Pernambucana de Nutrição.
 

Redação Terra