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Sergipe
Sexta, 6 de outubro de 2006, 09h52 
João diz que a máquina está "arrumada" para Déda
 
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O governador João Alves Filho (PFL) garantiu ontem que o seu sucessor Marcelo Déda (PT) vai encontrar o Estado, em janeiro próximo, numa situação financeira bastante confortável e com a máquina "arrumada". Segundo ele, Déda assumirá um governo com grande capacidade de endividamento e com dívidas pagas. "O Estado ficará numa situação absolutamente invejável e com vários financiamentos que só faltam ser assinados, o que não ocorreu antes em virtude das perseguições do governo federal", disse.

Ao falar pela primeira vez à imprensa, depois da derrota nas urnas no último domingo, João disse que, mantendo os mesmos padrões, em dois anos Sergipe estará no mesmo nível dos Estados desenvolvidos. "Em nosso governo o Estado deu um salto fundamental na questão da qualidade de vida, elevando o seu IDH (Índice de Desenvolvimento Humano); foram feitos investimentos da ordem de mais de R$ 900 milhões com recursos próprios e o maior canteiro de obras da história", citou.

Para garantir o ordenamento da máquina, João informou que vai reunir todos os seus secretários para orientá-los no sentido de implementarem todas as adequações necessárias. O objetivo, afirmou, é cumprir integralmente a Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF) de modo a fechar o balanço em 31 de dezembro próximo. "Os secretários têm responsabilidade e estão conscientes disso", observou, adiantando que - considerando a vitória de Geraldo Alckmin - Déda não terá o mesmo tratamento dado ao seu governo pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). "Estarei trabalhando para ajudá-lo no que for preciso", avisou.

João disse ainda que a orientação dada à bancada eleita pela sua coligação ¿ que fez cinco dos oito deputados federais ¿ é no sentido de que trabalhem para colaborar com um Estado, de forma a não repetir o mau comportamento adotado nos últimos quatro anos, quando o governo federal "perseguiu de forma inclemente o governo do Estado".

João confirmou que foi convidado pelo presidenciável Geraldo Alckmin para participar da coordenação do segundo turno da campanha, cuja eleição acontece no próximo dia 29, para trabalhar em Sergipe e especialmente na região Nordeste. "Trabalhei e vou continuar trabalhando porque considero a mais importante campanha do país. Sempre disse que preferia a vitória de Alckmin à minha. É uma questão de sobrevivência, porque o Brasil não suporta mais tanta roubalheira", argumentou.

Ele destacou a boa performance de Alckmin em Sergipe, que saiu vitorioso de 28 municípios, inclusive da capital. "Sergipe quebrou a tradição. O povo sergipano sempre votou no PT e agora deu a maior vitória a Alckmin. E vamos ampliar ainda mais essa vantagem", disse. Ontem mesmo João já reuniu secretários e parlamentares eleitos, reeleitos e derrotados, visando discutir estratégias da campanha do segundo turno. Ainda vai conversar individualmente com líderes políticos e amigos para traçar os caminhos que devem percorrer junto com o eleitorado.

Derrota nas urnas Questionado sobre a derrota que sofrera no último dia 1º, quando tentava o seu quarto mandato, João disse estar acostumado com a alternância no poder. Disse também que o povo é sábio. "O povo tem sempre razão. A democracia tem esse mérito de mostrarmos que não somos soberanos", afirmou. Ele não quis atribuir culpas pelo seu insucesso nas urnas, mas admitiu ser estranho o fato de a soma dos votos dos deputados ter sido maior do que a quantidade de votos que foram contabilizados a seu favor.

"Não fui eleito porque não tive votos suficientes. Quanto a esses votos a mais dos deputados, realmente me surpreendeu", destacou. Ele adiantou que, pessoalmente não pretende participar do processo eleitoral de 2008 como candidato, mas avisou que a oposição terá candidato. "O poder não me seduz e nunca me deslumbrei"
 

Agência Nordeste

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