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Rio Grande do Sul
Quarta, 4 de outubro de 2006, 17h54 
"Sandy gaúcha" nega polarização com deputada-musa
 
Liana Pithan
Direto de Porto Alegre
 
Divulgação
Fernanda pintou os cabelos como protesto contra a corrupção
Fernanda pintou os cabelos como protesto contra a corrupção
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A candidata a deputada federal não-eleita Fernanda Machado (PSDB), apelidada de "Sandy gaúcha" pela imprensa do Rio Grande do Sul, rejeita a condição de antagonista de Manuela D'Ávila (PCdoB-RS), a deputada federal eleita com a maior votação do País. Conforme Fernanda, 22 anos, seu bordão "Beleza, por quê?" não foi criado para polarizar com Manuela, que cumprimentava o público na propaganda eleitoral gratuita dizendo "E aí, beleza?". "A decisão sobre o quê eu deveria dizer foi discutida com integrantes do partido, que sugeriram uma frase que mostrasse insatisfação com a situação do País, sobretudo com o governo federal", explica.

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Beleza e comparações
Uma menção indireta à Fernanda foi feita ontem pela deputada eleita em entrevista ao Portal Terra. Questionada se seu aspecto físico teria influenciado na decisão dos eleitores, Manuela respondeu: "Não foi a beleza que me elegeu. Se fosse assim, outros candidatos muito bonitos tinham se elegido. Tinha uma menina parecida com a Sandy que tentou polarizar comigo na campanha e recebeu cerca de quatro mil votos", comparou.

Diferenças e semelhanças
A pouca idade das gaúchas fez com que elas fossem comparadas desde a campanha para a Câmara Municipal de Porto Alegre, em 2004, época em que Fernanda usava os cabelos longos e na cor natural, castanha, o que lhe valeu o apelido. Naquela ocasião, a tucana também perdeu a vaga de vereadora, ao contrário de Manuela. Embora sigam linhas políticas distintas, as duas gaúchas têm mais aspectos em comum do que a beleza e a juventude. Ambas falam de forma apaixonada de suas convicções, defendem a educação como plataforma prioritária, apóiam projetos sociais e condenam o machismo, que, segundo elas, tenta reduzir as mulheres a uma condição secundária no cenário político.

Imagem e cabelos pintados
Assim como Manuela, Fernanda não quer ser conhecida pelo seu aspecto - tarefa um tanto árdua considerando a tintura verde e amarela que ela usa no cabelo. "Tem muito eleitor sem consciência formada, que vota porque o candidato é bonito, porque é simpático, porque tem o cabelo diferente. Mas isso é apenas uma imagem e eu sou muito mais do que uma imagem", ressalta. A intenção da pintura dos cabelos, explica, foi protestar contra a corrupção do governo federal em 2005. E o visual foi mantido para a campanha por sugestão do partido. "Mas não sei se vou manter assim. Dá um trabalho...", confidencia.

Campanhas distintas
Fernanda diz que compreende o resultado das urnas e usa a razão para explicar por que, mais uma vez, Manuela foi eleita e ela não. "Tive uma campanha modesta, sem recurso financeiro, com apenas dez pessoas me ajudando voluntariamente e eu não era conhecida do público. Ganhei do partido 100 mil santinhos. Esse foi o meu material de campanha", afirma. Ela lembra que o PSDB do Estado tinha em torno de 60 candidatos para o cargo, enquanto Manuela foi a única candidata a deputada federal pelo PCdoB. "Ela teve umas 300 pessoas trabalhando na campanha, tinha muito tempo na propaganda eleitoral gratuita, tem uma história, que começou na política estudantil, é vereadora. Eu não poderia comparar a minha candidatura com a dela", enfatizou.

Como lição, Fernanda disse ter aprendido que precisa mais contato direto com os eleitores. "Devia ter visitado mais a comunidade, falar com o povo. Pequei nessa parte, mas foi por falta de recursos para percorrer a cidade, o Estado", revela.

Experiência e trabalho social
Modesta quanto à escassa experiência, ela admite que não ter ocupado uma vaga na Câmara de Vereadores fez falta. A gaúcha conta que seu desejo de fazer política nasceu do trabalho social que desenvolve há anos na Restinga, um dos bairros mais pobres e violentos de Porto Alegre. Trata-se do projeto Nova Vida na Restinga, ligado à Igreja Batista Nova Vida, da qual faz parte. "Nós damos curso de informática e curso de corte e costura, levamos advogados para dar atendimento gratuito. É um trabalho muito bonito", anima-se, revelando que coordena o projeto.

"A gente vê que a comunidade enfrenta muitos problemas, sobretudo na educação dos jovens. Eles não sabem nada sobre política, não sabem a diferença de parlamentarismo e presidencialismo, não sabem quais as competências e as atribuições de Executivo e Legislativo. Isso revolta, porque pessoas desinformadas são mais fáceis de serem enganadas. Não sabem em quem votar", ressalta.

Futuro
Com cabelo colorido ou castanho, polarizando ou não com Manuela, o certo é que Fernanda voltará em dois anos à cena gaúcha. "Meu grande objetivo agora é a vereança em 2008. Já comecei a trabalhar para isso", finaliza.
 

Redação Terra