| Ricardo Duarte/Agência RBS/Agência Estado |
 Manuela recebeu 271.938 votos no Rio Grande do Sul |
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A deputada mais votada do País nestas eleições, Manuela D'Ávila (PCdoB-RS), 25 anos, chama a atenção pela juventude e a beleza, mas rejeita - com fortes argumentos e idéias - qualquer tentativa de ser reduzida a esse estereótipo. Com a terceira maior votação para deputado federal da história do Rio Grande do Sul, Manuela, a Manu, atribui a razões nada superficiais os 271.938 votos que obteve dos gaúchos. "Não foi a beleza que me elegeu. Se fosse assim, outros candidatos muito bonitos tinham se elegido. Tinha uma menina parecida com a Sandy que tentou polarizar comigo na campanha e recebeu cerca de quatro mil votos", comparou.
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Machismo e preconceito
Manuela diz que as tentativas de descrevê-la com os adjetivos acima são reflexos do machismo que ainda cerca a política brasileira e tenta "deslegitimar a condição da mulher". "Eu recebo elogios, falsos elogios, que tentam diminuir o meu trabalho", destacou. Vereadora porto-alegrense desde 2005, onde é conhecida sobretudo por seus projetos de defesa dos estudantes, Manuela aguça a curiosidade da imprensa nacional e entende, embora com certo desconforto, porque é descrita como "mulher-jovem-bonita". Mas isso vai deixar de ocorrer, acredita, tão logo ela comece a mostrar seu trabalho no Congresso. "Os jornalistas vão descobrir em seguida que eu não sou a Gisele Bündchen", brinca.
Razão dos 271.938 votos
Para a deputada eleita, a conquista da vaga deve-se a uma série de fatores. Ela cita como preponderantes seu trabalho como vereadora em Porto Alegre e o posicionamento firme. "Sempre situei muito bem minha posição política. Nunca fiquei em cima do muro", afirmou. Manuela avalia ainda que o eleitorado entendeu sua identificação com as políticas públicas do presidente Lula, o que teria contribuído para a sua eleição.
Além disso, ela ressalta a coesão do PCdoB em torno de seu nome, que lhe garantiu tempo suficientemente bom no horário político eleitoral para mostrar suas propostas aos gaúchos. "Os eleitores também têm um desejo de renovação, mas não só uma renovação nos nomes e sim na forma de fazer política", explica.
Seriedade sem sisudez
Site de visual transado, blog atualizado e participação intensa do Orkut são alguns dos métodos usados pela vereadora para o contato com os eleitores e que devem ser mantidos no mandato no Congresso. "São meios baratos e eficientes", avalia. A deputada, que prefere não ser chamada de "senhora", derruba qualquer estereótipo do comunista barbudo e sisudo. "Política não tem que ser formal para ser séria", complementa.
A marca da descontração conduziu a campanha da candidata, que começava seu espaço na propaganda gratuita em TV e rádio cumprimentando o público assim: "E aí, beleza?". A campanha nas ruas incluiu até a personagem Manuelete, desenho em estilo de história em quadrinhos que ganhou vida sob a forma de uma boneca gigante.
Experiência e aprendizado
A gaúcha admite que há quem se assuste com sua juventude e questione se ela está apta ao trabalho como deputada federal. Mas explica que sua experiência, que vem desde a adolescência na política estudantil, soma-se à sua disposição para aprender. "Nunca se está pronto para tudo. É preciso se preparar durante a luta", define. Ela acredita que, a despeito de todas as crises éticas, o Congresso tem homens e mulheres que dignificam a política. E destaca que terá muito o que aprender com eles.
"Tenho colegas vereadores que defendem idéias opostas às minhas, mas que trabalham com honradez e honestidade. São exemplos de coerência", destacou. Ela afirma que todos os lados saem ganhando nos confrontos de idéias ideologicamente diferentes, desde que haja um debate de qualidade e respeito mútuo.
Eleitorado jovem
A deputada eleita pelo PCdoB admite que sua faixa etária e sua defesa dos estudantes acaba atraindo majoritariamente os eleitores jovens, mas revela que há pessoas mais velhas que aderiram a sua candidatura. "Muitas mulheres de meia-idade se identificam com minhas propostas", revela. Se recebesse apenas apoio dos eleitores jovens, reconhece, não teria se elegido com tantos votos.
Defesa dos estudantes
Como vereadora, Manuela apresentou projetos como a criação da comissão especial de políticas públicas para a juventude, a isenção de taxa de inscrição no vestibular para desempregados e a meia-entrada para estudantes em eventos culturais e esportivos, entre outros, e afirma que vai seguir lutando pelos direitos dos estudantes. "Local de jovens é estudando. Eles precisam de políticas públicas que permitam o acesso à escola e à universidade, e para que continuem lá estudando", afirma. Ela lembra ainda que instalou seu gabinete dentro de escolas e fez mais 300 debates com estudantes. "O político tem que estar perto do cidadão", argumenta.
Amor pelo Brasil
"É claro que o Brasil tem jeito", apontou a deputada gaúcha, que se descreve como uma pessoa guiada pela convicção de que "com luta e trabalho se consegue a felicidade". "Amo muito este País e vivo para legitimar a pequena contribuição que posso oferecer", finaliza.
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