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Mato Grosso do Sul
Segunda, 2 de outubro de 2006, 00h47 
MS: veja a trajetória política de André Puccinelli
 
Graciliano Rocha
Direto do Mato Grosso do Sul
 
Paulo Ribas/Agência Estado
André Puccinelli foi eleito governador do Mato Grosso do Sul
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Principal figura da oposição ao longo dos quase oito anos de governo do PT no Estado, André Puccinelli entrou para a primeira divisão da política estadual em 1996 quando se elegeu prefeito de Campo Grande, a primeira vez, derrotando por apenas 411 votos o petista José Orcírio dos Santos, o Zeca do PT.

Nascido em Viarreggio, na Itália, o candidato é brasileiro naturalizado e é chamado nos bastidores da política de "O Italiano".

Puccinelli, um médico que havia sido deputado estadual e federal antes de ser prefeito, esteve à frente de uma administração que foi marcada pela expansão da infra-estrutura urbana da capital de MS. Abriu novas avenidas, urbanizou bairros e tocou programas habitacionais ambiciosos.

A popularidade nos primeiros anos como prefeito lhe renderam uma reeleição tranqüila em 2000, quando teve 68% dos votos válidos. Mais tarde, em 2004, elegeu o sucessor, o peemedebista Nelson Trad Filho, também no primeiro turno.

Ao lado da imagem do tocador de obras, Puccinelli também teve sua administração vinculada a acusações de direcionar licitações e superfaturar preços. O caso mais famoso foi o da urbanização do Córrego Bandeira, onde a CGU (Controladoria Geral da União) apontou um superfaturamento de R$ 3,9 milhões. A Engecap, empresa contratada para fazer uma parte da obra, estava em nome de dois garis da prefeitura. O contrato foi cancelado, mas o MPF (Ministério Público Federal) analisa o indício de sobrepreço.

Sua sólida vantagem na corrida eleitoral pode ter uma explicação mais ampla que a sua atuação à frente da prefeitura. Habilidoso nos bastidores, o italiano construiu uma aliança que incluiu a tradicional oposição petista local - o PMDB, o PFL e o PSDB - e partidos que nos últimos anos ocuparam cargos no governo do PT e compuseram a base de sustentação na Assembléia Legislativa, como o PDT e o PL. Este último, aliás, faz campanha para Puccinelli e continua no comando de duas secretarias estaduais.

O candidato do PMDB não divulgou formalmente um plano de governo, mas 15 metas com um resumo de suas prioridades. Entre suas promessas estão a construção de 40 mil casas populares no seu governo, um amplo programa de construção e manutenção de estradas e a concessão de incentivos fiscais para atrair investimentos privados.

Uma das propostas mais importantes do candidato é a renegociação da dívida de MS com a União. Estimada em R$ 6,083 bilhões, a dívida faz com que o Estado transfira anualmente cerca de R$ 300 milhões - o que reduz drasticamente a capacidade de investimento do governo estadual. Sua proposta é reduzir a quantidade de dinheiro transferida para União.

Na reta final da campanha, Puccinelli protagonizou uma cena curiosa. Na semana passada, durante o aniversário de Corumbá, terra natal de seu adversário Delcídio do Amaral (PT), subiu em um palanque de autoridades montado para o petista. Sem ter sido convidado, acompanhou o desfile ao lado de Delcídio e do governador Zeca do PT.

O candidato tem 58 anos, é casado, tem três filhos. Declarou à Justiça Eleitoral um patrimônio de R$ 2,37 milhões e a previsão de gastos de sua campanha é de R$ 15 milhões. Seu vice é o deputado federal Murilo Zauith, do PFL.


 

Redação Terra