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Sergipe
Domingo, 1 de outubro de 2006, 21h02  Atualizada às 22h08
SE: veja a trajetória política de Marcelo Déda
 
Jorge Henrique/Futura Press
Marcelo Déda foi eleito no Sergipe
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Marcelo Déda Chagas, 46 anos, candidato vencedor ao governo de Sergipe, consolida-se nestas eleições como uma das lideranças mais populares do Nordeste e uma das grandes referências do PT na região.

Prefeito de Aracajú por dois mandatos, Déda deixou o cargo em março para disputar o governo do Estado, que tirou das mãos do atual governador João Alves, do PFL, candidato à reeleição.

Analistas políticos e amigos atribuem a grande popularidade de Déda em Sergipe ao carisma pessoal do candidato, ao forte contato que mantém com os movimentos sociais e ao desempenho na prefeitura de Aracaju, bem avaliado pelos eleitores.

"Ele tem um espírito muito cativante", disse o cientista político da Universidade Federal de Sergipe Carlos Franciscato.

"Déda sabe conversar 'olho no olho' com a população... É um grande orador, tem grande facilidade de comunicação.. Além disso, fez uma administração de Aracaju que a população entendeu que foi boa", comentou.

Márcio Macedo, presidente estadual do PT, amigo de Déda e coordenador da campanha ao governo do Estado, observa que o candidato tem uma trajetória de vida bastante vinculada à história de lutas do povo sergipano.

"O povo acompanhou o crescimento dele", acrescentou Macedo, referindo-se à trajetória política do candidato, que começou muito cedo, quando ainda era estudante secundarista e agitava as passeatas pela redemocratização do País.

Nascido na cidade de Simão Dias, a 110 km de Sergipe, Déda mudou-se para Aracaju com 13 anos para estudar, engajando-se nos movimentos estudantis e culturais.

Apaixonado por cinema e jornalismo, queria registrar tudo em filme. Criou com amigos os clubes de cinema do Colégio Atheneu Sergipense e do Diretório Central dos Estudantes e, como cineasta amador, usando uma super-8, chegou a ser premiado, em 1979, no Festival de Cinema Amador de Sergipe.

Entre 1980 e 1984, enquanto cursava Direito na Universidade Federal de Sergipe, o jovem Déda ajudou a fundar o PT no Estado.

Em 1982, com apenas 22 anos, candidatou-se a deputado estadual. Obteve 300 votos, mas não desistiu. Em 1984, durante a campanha das Diretas, participou intensamente da mobilização popular no Estado e, um ano depois, aos 25 anos, candidatou-se à Prefeitura de Aracaju.

Sem dinheiro para a campanha, Déda decidiu fazer os programas de TV ao vivo e acabou caindo no gosto popular.

"A lei me facultava fazer ao vivo, então eu ia cru, pregava uma bandeira com durex e estava pronto o cenário do ''ao vivo''. Aquilo que era uma desvantagem virou uma vantagem porque me transformei no âncora do programa eleitoral", relembra Déda.

O jovem petista ficou em segundo lugar na disputa, com 19 mil votos, mas, no ano seguinte, em 1986, elegeu-se deputado estadual com a maior votação já alcançada na história do parlamento sergipano, 32 mil votos.

Quatro anos depois, em 1990, Déda tentou em vão reeleger-se. Foi acusado pelos eleitores de ter esquecido os movimentos sociais por causa das atividades no parlamento.

De volta às bases, elegeu-se deputado federal em 1994 com 26 mil votos. O carisma e a capacidade de articulação política garantiram-lhe a liderança do PT na Câmara Federal. Em 1998, é reeleito com 83 mil votos.

Em 2000, Déda realiza o antigo sonho. Entrou na disputa pela Prefeitura de Aracaju como um dos últimos colocados nas pesquisas. Mas acabou ganhando a eleição ainda no primeiro turno, com 52,8% dos votos válidos.

Em 2004, foi reeleito no primeiro turno com 71,3% dos votos válidos. Agora, ameaça tirar o governo local das mãos do PFL, partido que sempre teve muita influência no interior do Estado.

Compadre de Lula - que batizou sua filha mais nova -, Déda é visto com carinho e respeito pelo presidente. Se Lula também conquistar a reeleição, Déda será um importante aliado do Planalto nas negociações com os governadores e parlamentares da região.

"A eleição de ambos dará a Déda uma possibilidade de inserção nacional", comentou Franciscato.


 

Reuters

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