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Rio Grande do Norte
Quarta, 27 de setembro de 2006, 09h44  Atualizada às 21h44
Candidato vai a debate vestido de árabe em Natal
 
Flávia Urbano
Direto de Natal
 
Flávia Urbano/Terra
Humberto Xeque foi vestido a rigor no debate
Humberto Xeque foi vestido a rigor no debate
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O debate entre os candidatos ao governo do Rio Grande do Norte, promovido na terça-feira pela Intertv Cabugi, afiliada da Rede Globo, não trouxe maiores surpresas. Os quatro convidados compareceram - governadora Wilma de Faria PSB), senador Garibaldi Alves Filho (PMDB), Sandro Pimentel (Psol) e Xeque Humberto (PTC), que veio fantasiado de árabe em alusão ao seu sobrenome. Entre perguntas e exposição de projetos de governos, também houve algumas alfinetadas entre os candidatos.

Os candidatos chegaram à sede da TV a partir das 21h. Do lado de fora, grupos de cabos eleitorais dos dois principais candidatos (Garibaldi Filho e Wilma de Faria) fizeram muito barulho, com carros de som e queima de fogos. Homens da Polícia Militar permaneceram no local para evitar transtornos.

Durante o debate, os quatro candidatos se irritaram com críticas e acusações. Primeiro foi a vez de Garibaldi. Ao ser inquirido pela governadora sobre a possibilidade de privatização da Caern (Companhia de Água e Esgotos do RN), tendo por base a venda da Cosern (Companhia de Energia) durante seu mandato de governador, Garibaldi disse que Wilma era "mal-agradecida" porque a antiga estatal era deficitária.

Ele completou dizendo que a Cosern foi recuperada e vendida por força da conjuntura nacional, e que o dinheiro da venda foi aplicado na construção de barragens, adutoras, dentre outros. Atualmente, segundo Garibaldi, a empresa contribui com R$ 185 milhões anuais de ICMS para os cofres públicos. Com a Caern, Garibaldi afirmou que a situação é "completamente" diferente.

Wilma ficou incomodada com Sandro Pimentel quando ele relatou o episódio da perda da refinaria de petróleo para Pernambuco, uma vez que a governadora é aliada do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Fernando Bezerra (PTB), da chapa de Wilma, é líder do governo no Congresso Nacional. Ela disse que Sandro não fizesse "bravata". "O candidato está atirando para todos os lados", retrucou.

Mais tarde,Wilma elevou o tom ao responder ao senador Garibaldi. Ele questionou como a governadora se sentia pelo RN ter sido o Estado "lanterninha" em avaliação da qualidade de ensino pelo Ministério da Educação. Diante da resposta de Wilma que creditou culpa à gestão de Garibaldi, ele replicou que a governadora "não respondia e estava fazendo rodeios". "Isso de se fazer de bonzinho. Isso não é brincadeira não", reclamou Wilma.

Sandro Pimentel e Xeque Humberto revidaram quando os outros dois candidatos alegaram falta de experiência deles, pelo fato de nunca terem exercido mandato eletivo. Os candidatos fizeram avaliação positiva do debate e de suas participações. Sandro e Xeque Humberto, ambos com menos de um minuto no horário eleitoral gratuito, tiveram mais tempo para falar no debate do que em todo o período da propaganda obrigatória. A governadora reclamou apenas de que, pelas regras do debate, não pôde intervir quando os demais faziam referência à sua administração.

No Estado do Rio Grande do Norte, este foi o único debate realizado ao longo da campanha. Dois outros foram cancelados porque Garibaldi e Wilma não confirmaram presenças.
 

Redação Terra