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Terça, 26 de setembro de 2006, 16h13 
Tarso acusa PSDB de tentativa de "golpe branco"
 
Karine Melo
Direto de Brasília
 
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O ministro das Relações Institucionais, Tarso Genro, atacou nesta tarde o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, responsabilizando-o por "omissão, negligência e conivência" no escândalo dos vampiros do Ministério da Saúde. Tarso ainda acusou o PSDB de tentar aplicar um "golpe branco" com a tentativa de impugnação da candidatura do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Com a notificação do TSE, Lula tem prazo de dez dias para apresentar sua defesa da acusação de abuso do poder político e econômico, sob pena de não ser diplomado caso vença as eleições.

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A "Operação Vampiro" foi fruto de uma investigação realizada pela Polícia Federal, que foi deflagrada em 2004. Em agosto, a PF encaminhou à Justiça o indiciamento de 42 pessoas, incluindo o ex-ministro Humberto Costa e o ex-tesoureiro do PT Delúbio Soares. O esquema agia com o superfaturamento de medicamentos usados para coagulação de sangue.

Tarso considerou temerárias as declarações de que o presidente pode sofrer impeachment ou não ser diplomado após a vitória nas urnas. "É um golpe político que não tem a mínima credibilidade. Temos que encarar como um movimento eleitoreiro do nosso adversário. Se isso for levado a sério posteriormente à vitória do presidente Lula, aí se torna o mais elementar golpismo de terceira categoria contra o povo que vai votar e escolher seu candidato", afirmou.

As afirmações de "candidatos que já se acham mais ou menos derrotados" de que haverá, depois das eleições, impeachment ou impugnação, "é uma postura que o povo brasileiro não aceitará", segundo Tarso.

Sobre a nova representação que PSDB e PFL devem protocolar junto ao TSE acusando o presidente de ter se utilizado do Banco do Brasil no caso do dossiê, Tarso disse que o PSDB e o PFL, particularmente o PSDB, tem sido pródigo em acusações violentas e contra o presidente.

O ministro disse que, na verdade, o PSDB deveria explicar como o seu governo conviveu de "maneira harmônica e tranqüila" durante quatro anos com a "quadrilha dos vampiros" sem tomar atitude. Para Tarso, a apuração demonstra que o presidente tem postura republicana. "Quero saber o que o senhor Alckmin e os tucanos dizem disso?", questionou.

Máfia dos Vampiros
Tarso desafiou ainda os tucanos a explicarem o quanto estão comprometidos com a Máfia dos Vampiros. O ministro destacou que o MP concluiu que o esquema existia desde 1998, mas só foi desbaratada e investigada no governo Lula. "Os tucanos têm de responder por que não apuraram nada, qual foi o comprometimento de seu partido com a corrupção sistêmica no governo Fernando Henrique e que tipo de convívio tiveram com essa quadrilha", provocou o ministro.

Questionado sobre o constrangimento que o envolvimento de nomes importantes do governo Lula, como o do ex-ministro da Saúde e candidato do PT ao governo de Pernambuco Humberto Costa, poderia trazer ao governo, Tarso disse que isso só traz mais vontade de mais apuração. "O episódio só mostrou que Lula é impiedoso até com pessoas do partido", afirmou.

Sobre a participação de Lula no debate de quinta-feira na TV Globo, Tarso informou que o presidente só decidirá no dia do debate. Sobre as pesquisas, Tarso avaliou que o presidente continua favorito e que está confiante numa vitória ainda no primeiro turno porque a imagem do presidente está poupada pela confiança da sociedade.

Tarso Genro argumentou que não estava fazendo a defesa prévia do ex-colega Humberto Costa, "porque a defesa jurídica é individual", mas aproveitou para ironizar Fernando Henrique, que na segunda-feira, em ato da oposição, havia comparado Lula ao demônio.

"O FH deve ter se lembrado de que uma vez perdeu uma eleição para prefeito (em 1985 em São Paulo) porque disse que não acreditava em Deus, que era ateu. E agora, no desespero, resolveu apelar para o demônio", afirmou. "Provavelmente ele fala em demônios para não falar de vampiros".

Tarso atribuiu o sucesso da campanha de Lula às políticas sociais que melhoraram a vida de muitos brasileiros. "Antes, os brasileiros que resistiam a votar no Lula por se considerarem parecidos a ele, hoje votam exatamente por isso."

Se for reeleito, o presidente chamará, após as eleições, todas as forças demócraticas do país e todos os partidos legalmente registrados para a composição de um pacto político de consertação, informou Tarso. O pacto teria como base a reforma política e a tramitação do orçamento por dentro de um processo legislativo.

Conforme Tarso, o governo acredita que os casos de corrupção que vinham sendo registrados no país há mais de 20 e 30 anos, estão ancorados nestas condições: o sistema político do país e na forma de votação do processo orçamentária.

Com agências
 

Redação Terra