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Espírito Santo
Segunda, 25 de setembro de 2006, 18h04  Atualizada às 18h54
ES: 32% dos universitários venderiam voto, diz pesquisa
 
Alex Cavalcanti
Direto de Vitória
 
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Pesquisa realizada pelo Núcleo de Pesquisas Mercadológicas do Centro Universitário Vila Velha (UVV), em parceria com a ONG Transparência Capixaba, revela que os universitários do Espírito Santo têm uma postura contraditória diante da política. De acordo com o levantamento, que ouviu estudantes de faculdades particulares de Vila Velha, 32% dos entrevistados admitiram que trocariam o voto por vantagens pessoais oferecidas por algum candidato. No mesmo grupo, 95% disseram que políticos corruptos deveriam ser cassados e 92% afirmaram que não votariam em candidatos envolvidos em escândalos.

» Opine: você venderia seu voto?

Para o secretário de comunicação da ONG Transparência Capixaba, Rafael Simões, "isso mostra a importância de trabalhos de conscientização e educação. Essa é uma pesquisa com universitários. Teoricamente, estamos falando de uma parcela privilegiada da população e, mesmo assim, um terço dos entrevistados venderia seu voto. Isso é preocupante", afirma.

Ainda segundo Simões, no entanto, também é possível fazer uma leitura positiva deste quadro. "Se você levar em consideração essa sucessão de escândalos que o País vem enfrentando, ter um quadro onde 68% da população mantém a postura de não aceitar favores pessoais é muito positivo", analisa.

O levantamento, realizado entre os dias 14 e 15 de setembro, aponta um preocupante distanciamento dos cidadãos em relação às eleições. De acordo com a pesquisa, 43% dos entrevistados admitiram não saber os nomes dos acusados de participar de esquemas de corrupção.

O coordenador do núcleo de pesquisas, professor Roberto Miranda, acredita que, apesar do nível de escolaridade, parte dos jovens sofre de "analfabetismo político". De acordo com o estudo, 92% dos entrevistados não procuram saber quanto os candidatos gastam; 55% não assistem aos programas eleitorais; 50% não se interessam por política e 62% não acompanham a atuação dos eleitos.

O professar Miranda acrescenta que "nós temos que reconstruir a política como espaço de debate dos interesses coletivos. Os processos de representação social estão enfraquecidos. Além disso, o desgaste da imagem dos homens públicos faz com que as pessoas percam realmente o interesse na política. Elas só não entendem que a omissão só favorece a quem quer manter as coisas dos jeito que estão", explica.
 

Redação Terra