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Segunda, 18 de setembro de 2006, 12h40  Atualizada às 14h22
Assessor de Lula pede afastamento após dossiê
 
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O assessor especial do gabinete da Presidência Freud Godoy solicitou seu afastamento do cargo ao Palácio do Planalto hoje, segundo informações do Jornal Hoje. Ele é apontado como o mandante da compra do suposto dossiê que relacionaria o candidato tucano ao governo de São Paulo, José Serra ao esquema da máfia dos sanguessugas. Freud Godoy nega as acusações.

» Presos envolvidos com dossiê podem ir para Cuiabá
» Assessor dá explicações a Lula sobre suposto dossiê
» Preso dá nome de petista que teria comprado "dossiê Serra"
» CORREÇÃO: Assessor de Lula pede afastamento após dossiê

Godoy foi coordenador de segurança das quatro campanhas de Luiz Inácio Lula da Silva à Presidência. A assessoria da Presidência não confirma o recebimento do pedido de afastamento.

O advogado Gedimar Passos, preso na última sexta-feira, disse à Polícia Federal que um integrante do PT teria negociado suposta operação de compra do dossiê contra os candidatos do PSDB para o governo de São Paulo, José Serra, e para a Presidência da República, Geraldo Alckmin.

Segundo declarou, em depoimento à PF, um homem chamado "Froude" ou "Freud" foi quem o orientou a pagar R$ 1,75 milhão pelo documento, com supostas informações envolvendo os políticos no esquema de venda de ambulâncias superfaturadas. Gedimar foi preso com o empreiteiro Valdebran Carlos Padilha da Silva, O dossiê também comprometeria o sucessor de Serra no ministério da Saúde, o tucano Barjas Negri, e ainda políticos do PT e de outros partidos da base aliada do governo.

Em entrevista ao Jornal Hoje, Freud confirmou que se encontrou com Gedimar pelo menos quatro vezes, em Brasília, mas negou qualquer envolvimento com a compra de documentos. "Que eu fiz esse tipo de negociata, eu quero ver quem tem prova disso", disse.

O assessor disse que foi apresentado a Gedimar por Jorge Lorenzetti, há um mês, no diretório do PT, em Brasília. Ele foi designado para cuidar da segurança e logística do comitê da campanha de Lula à Presidência. Freud não soube dizer se Jorge é funcionário registrado do comitê.

No segundo encontro, Gedimar e Freud decidiram como seria feita a varredura nos telefones do comitê do PT. A empresa de segurança da mulher de Freud foi contratada para o serviço. Eles se encontraram outras duas vezes. Na última delas, Lorenzetti também estava presente.

Explicação a Lula
Freud disse que deu explicações por telefone para o presidente Lula, na manhã de hoje. "Lula ficou muito preocupado com isso e me perguntou o que estava acontecendo", disse. Freud contou que procurou tranqüilizar o presidente: "O senhor pode dormir tranqüilo porque eu tenho como provar que não tenho nada a ver com isso", afirmou.

O assessor informou que vai se afastar do cargo até que as denúncias sejam apuradas. Ele disse ainda que vai se apresentar espontaneamente à Polícia Federal na tarde de hoje para prestar depoimento.

Acareação
Delegados da Polícia Federal de Cuiabá solicitaram uma acareação entre Gedimar e Valdebran e os empresários Luiz Antonio Trevisan Vedoin e o tio dele, Paulo Roberto Dalcol Trevisan. Gedimar e Valdebran, que estão presos em São Paulo, devem ser transferidos para o Mato Grosso do Sul se o pedido for aceito. O prazo da prisão temporária decretada para os dois termina amanhã.
 

Redação Terra