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Sexta, 8 de setembro de 2006, 00h44  Atualizada às 03h54
FHC critica Lula e o próprio PSDB em carta
 
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O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, em carta dirigida à militância e simpatizantes do PSDB publicada nesta quinta-feira no site do partido, cobrou firmeza para denunciar a "podridão reinante" que atribui ao PT e ao governo do presidente e candidato Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

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Ele disse ainda que o PSDB "também é responsável" pela suposta falta de "reação" do eleitor com a corrupção crescente, por haver "tapado o sol com a peneira" em relação ao ex-presidente da sigla, senador Eduardo Azeredo (MG) - acusado de praticar caixa dois na mal-sucedida campanha de reeleição ao governo mineiro em 1998.

"Nós do PSDB não fomos suficientemente firmes na denúncia política de todo esse descalabro no momento adequado", disse, se referindo aos escândalos do mensalão e caixa dois envolvendo o governo federal. "Erramos no início, quando quisemos tapar o sol com a peneira no caso do senador Azeredo (...). Calamos muito tempo".

Fernando Henrique convocou a militância, mais uma vez, para denunciar as irregularidades envolvendo a admistração federal, sobretudo nos episódios do mensalão e caixa dois, mas admitiu que "não será agora, durante a campanha eleitoral", que será possível "despertar a população". Admitindo a possibilidade de vitória do petista Lula já no primeiro turno, reforçada por todas as pesquisas de intenção de voto, o ex-presidente afirmou:

"Ainda que o eleitorado não nos acompanhe neste momento, deixaremos as marcas de nosso estilo, de nossas atitudes, para calçar um futuro melhor para o País".

FHC atacou, mais uma vez, diretamente o presidente Lula, cobrando que seja responsabilizado pelas denúncias: "O próprio presidente, que é responsável pelos ministros, não tendo atuado para demiti-los nem depois do fato sabido, é passível de crime de responsabilidade". Para o ex-presidente, "faltam condições morais" a Lula.

E usou o candidato tucano à Presidência, Geraldo Alckmin, como contraponto:

"Nosso candidato à Presidência tem as mãos limpas. Tem história de seriedade. Por que não bradar isso com força ? Por que não fazer o contraponto com o outro lado. Nada a temer nem a esconder. Geraldo Alckmim pode dizer o que Lula não pode porque sua história não passa por acusações de suborno a prefeituras. Ele não tem que explicar, como Lula, por que tendo tanto dinheiro vivo (e quanto!), não paga dívidas. Por que ora diz nunca ter ouvido falar de sua dívida no partido, ora que a discutiu, mas não a reconhece. Enfim: faltam condições morais a um e sobram a outro".

"Crise fiscal"
FHC também declarou que os "aumentos de salário, expansão das bolsas, expansão do crédito, antecipação do décimo terceiro salário dos funcionários" em ano eleitoral representam uma "bonança" que poderá ter um preço no futuro. Para ele, "há uma gastança irresponsável e um novo inchaço do governo, sem nenhuma preocupação com a qualidade dos gastos".

"Não havendo um incremento significativo dos investimentos (a taxa, em moeda corrente, anda abaixo de 20% do PIB há vários anos) e havendo a ampliação do gasto público, é só a conjuntura internacional mudar e pagaremos o custo da crise fiscal, das ineficiências acumuladas, da falta das reformas, tudo sempre revestido da maior empáfia dos que pensam que 'nunca neste país, se fez mais e melhor do que neste governo'", avaliou. "
 

Redação Terra