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Terça, 5 de setembro de 2006, 17h30  Atualizada às 17h56
Bolsa Família transforma Lula em figura messiânica
 
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O Bolsa Família e outros programas de transferência de renda do governo federal transformaram o presidente Luiz Inácio Lula da Silva em uma figura messiânica no Nordeste, região que vem se mostrando, segundo as pesquisas, decisiva para o resultado desta eleição. A constatação é de analistas políticos que acompanham a disputa por votos no segundo maior colégio eleitoral do País depois do Sudeste.

"O eleitor nordestino se identifica com a história de Lula", explicou Hely Ferreira, cientista político do Núcleo de Estudos Políticos Eleitorais e Partidários da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE). "Além disso, a população nordestina é majoritariamente pobre. Os programas de transferência de renda em uma área onde o Estado brasileiro sempre foi ausente possuem um peso significativo na intenção de voto do eleitorado que teme perder essa oportunidade", acrescentou.

Pesquisa do Ibope da semana passada mostrou Lula com de 48% das intenções de voto em nível nacional, mas no Nordeste o apoio à reeleição sobe para 69%, um dos maiores patamares já alcançado por um candidato à Presidência. Enquanto isso, Alckmin tinha 13%, e a alagoana Heloísa Helena (Psol), 8%.

Os nove Estados do Nordeste possuem 34 milhões de eleitores, e o apoio maciço da população de baixa renda da região a Lula pode garantir a reeleição do presidente.

"Vou votar em Lula porque ele fez muita coisa. Eu ganho R$ 65 com o Bolsa Família. É pouco, mas é um dinheiro que me ajuda a botar comida em casa ou a comprar um remédio em caso de necessidade. Tenho uma sobrinha que recebe R$ 100 por estar na escola. Tem muita coisa boa que ele fez", afirmou Telma Lúcia da Silva, 44 anos, moradora da periferia de Recife.

O Bolsa Família injeta anualmente R$ 3,1 bilhões na economia da região, alcançando 5,5 milhões de famílias. O número corresponde a aproximadamente 22 milhões de pessoas. Somente em Pernambuco, 43% da população é atendida pelo programa, segundo dados do Ministério do Desenvolvimento Social.

"Sei que com os R$ 70 que recebo compro comida que não pensava em comprar. Vou votar em quem me ajuda a botar comida na mesa", disse a paraibana Maria Benedita da Silva, 41 anos, que trabalha como doméstica em João Pessoa.

Para o cientistas político da UFPE, Lula está sendo visto pela população nordestina de baixa renda como um novo pai dos pobres. "É uma espécie de messianismo, algo recorrente na história política nacional. Desde os tempos de Getúlio Vargas, a classe política esqueceu das massas. Além de ser uma figura do Nordeste esquecido e relegado a segundo plano, Lula hoje representa uma espécie de novo Getúlio, lutando pelas massas desfavorecidas", disse o pesquisador.

Reação
O coordenador da campanha tucana, senador Sérgio Guerra (PSDB-PE), avalia, no entanto, que o crescimento de Lula nas pesquisas "é pura empolgação de campanha". "Ele está na frente das pesquisas, e existe uma tendência do eleitor em seguir essa tendência. Isso deverá mudar nos próximos dias. As únicas coisas que o Lula tem para mostrar são o Bolsa Família e as ações da Polícia Federal, apenas isso."

Guerra observa que Alckmin vai conseguir reverter o quadro por ser um candidato que "possui presença, sabe interagir com prefeitos e com a população e tem um programa de governo bom e consistente para o País". "Nós vamos crescer nos próximos dias e levar a decisão para o segundo turno", garantiu.

Tiro pela culatra
O cientista político da UFPE Michel Zaidan não vê o mesmo quadro otimista da campanha tucana. Para ele, a oposição não conseguiu se apresentar como uma alternativa ao governo Lula.

Além disso, em Pernambuco, as críticas ao Bolsa Família tiveram efeito contrário, aproximando o eleitor do presidente. "É um erro tremendo de estratégia atacar o principal programa social do governo... Bem ou mal, essas políticas representam, junto às classes sociais menos favorecidas, um meio de transferência de renda significativa", afirmou.

Os ataques levaram até mesmo a uma situação inusitada. O ex-governador de Pernambuco e candidato ao Senado Jarbas Vasconcelos criticou o Bolsa Família em seus discursos, afirmando que o programa só alcançou expressão no Nordeste em função da pobreza regional.

A crítica gerou tanto desconforto que o candidato de Jarbas à sucessão estadual, Mendonça Filho (PFL), foi a público defender a manutenção do programa, comentou Zaidan. "Lula representa isso. Alguém nordestino, pobre, que veio de baixo. O imaginário popular da classe pobre aponta que Lula é atacado pelo fato de já ter sido pobre, por ser nordestino. Nesse caso, quanto mais se bate, mais ele cresce nas pesquisas", salientou Ferreira.
 

Reuters

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