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A ONG Transparência Capixaba lançou nesta segunda-feira, em Vitória, uma
campanha pela ética e reconstrução do sistema político brasileiro. A
partir de hoje, a ONG disponibiliza para os candidatos a cargos eletivos
nas próximas eleições o "Termo de Compromisso com a Transparência
Pública, a Ética e o Combate à Corrupção".
Pela proposta, os candidatos que subscreverem o documento assumem
publicamente o compromisso de realizar uma campanha transparente e, se
eleitos, exercer um mandato pautado por princípios éticos e morais. Além
disso, os candidatos devem se comprometer com a mudança e o
aperfeiçoamento de leis que venham a fortalecer o combate à corrupção,
ao nepotismo e ao crime organizado.
Entre os compromissos assumidos, estão a luta pela redução do recesso
parlamentar, revisão da imunidade parlamentar, que ficaria restrita aos
votos e pronunciamentos, proibição do nepotismo, transformação da
corrupção em crime hediondo e redução progressiva do número de cargos
comissionados em todas as esferas de poder. Quatro modelos de documentos
foram preparados, com compromissos diferentes em função dos cargos
disputados (governador, senador, deputado federal e estadual).
A adesão ao Termo de Compromisso é facultativa, mas depende de aprovação
da instituição. "A participação é restrita aos candidatos que
comprovadamente não tenham envolvimento em denúncias de corrupção",
afirma o Secretário de comunicação da Transparência Capixaba, Rafael
Simões. De acordo com o secretário, que é professor e historiador, essa
medida é uma forma de preservar a ONG.
De acordo com o professor, estudos internacionais apontam que o volume
de verbas desviadas é de três a cinco vezes maior do que se descobre.
"Um jornal de grande circulação divulgou que os casos de corrupção
descobertos nos últimos quatro anos no Brasil causaram prejuízos de pelo
menos R$ 10 bilhões. Seguindo esse raciocínio, mais de R$ 30 bilhões
teriam sido desviados no país nos últimos quatro anos", destaca Simões.
Para Rafael Simões, "o corrupto é também um homicida". O professor cita
estudos da Organização Mundial de Saúde que indicam que a cada R$ 50 mil
gastos em saneamento básico, a vida de uma criança é preservada. "Então,
quantas crianças morreram por causa das verbas desviadas neste setor?",
questiona.
Prestação de contas O Secretário de Comunicação da Transparência Capixaba também criticou o modelo de prestação de contas adotado pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) para a próxima eleição. Segundo Simões, as prestações de contas parciais, disponibilizadas no site do TSE, são incompletas.
"De pouco adianta dizer que o candidato arrecadou um determinado valor e
gastou outro tanto, sem sabermos quem doou e como ele gastou. Por isso,
a partir do próximo dia 30, vamos dar aos candidatos comprometidos com a
transparência a oportunidade de abrir suas contas", revela o professor,
referindo-se a um novo espaço que será criado no site da ONG. O endereço é o www.transparenciacapixaba.org.br.
Neste espaço, os candidatos poderão fornecer informações detalhadas
sobre os doadores e os fornecedores da campanha. "Mas o trabalho não
acaba aqui. Depois da eleição, nós pretendemos confrontar os dados
apresentados com a prestação de contas oficial. Se houver divergências,
podemos recorrer à Justiça para tentar impedir a diplomação", afirma
Simões.
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