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Rio de Janeiro
Sábado, 19 de agosto de 2006, 19h49 
Carlos Lupi: "O PDT é limpo, sem escândalos"
 
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Conhecido por apenas 22% dos moradores do Rio e com 1% das intenções de votos nas últimas pesquisas, Carlos Lupi, candidato ao governo do estado pelo PDT, se define como um "pregador do deserto com sonhos". Os números, segundo ele, não o incomodam. "Não vem ninguém me beijar, mas também não vem ninguém me ofender. Isso é reflexo da minha honestidade e da seriedade do partido", diz Lupi, um paulistano de 49 anos.

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O pedetista diz que educação é sua prioridade e conta que o ex-governador Leonel Brizola, morto em 2004, foi quem lhe ensinou a fazer política:

"Em 26 anos de convivência, aprendi a ter lealdade, ser teimoso e não abrir mão dos meus princípios". O senhor acha que é possível mudar o quadro desfavorável da sua campanha?
Claro que sim. O PDT é um partido limpo, sem 'mensalão' ou sanguessuga, e que ficou fora de todos os escândalos. Minha luta é muito difícil, mas o Brizola me ensinou que, quanto maior o desafio, mais devemos trabalhar. Eu não tenho marqueteiro, mas corro atrás. Digo que eu sou um pregador do deserto porque acredito que o vento possa levar minha palavra. E eu sou um apaixonado pelo Rio de Janeiro.

Qual é a sua prioridade de governo?
Vamos lançar agora o trevo da sorte, que se transformará na rosa vermelha socialista, símbolo do partido. Cada uma das folhas será um pilar de prioridade: educação, saúde, emprego e segurança. Todos têm que estar interligados para que as coisas funcionem. Mas a educação é fundamental para que outros dêem certo.

Educação é a bandeira do PDT. O que o senhor pretende fazer pela área?
Sem educação não vamos resolver outros problemas. O partido construiu 506 brizolões, que vão voltar a funcionar como antes, com cinco refeições diárias. O programa dos Cieps custou cerca de 1 bilhão de dólares na administração Brizola. É claro que é muito mais importante construir escolas do que presídios. Hoje um presidiário custa quatro vezes mais do que uma criança matriculada na escola. Só um governo irresponsável para não dar continuidade ao programa.

Em 1992, o senhor foi secretário municipal de Transportes. Quais são os seus planos?
É preciso integração entre os meios de transporte e investimentos nos transportes de massa como trens e metrô. Baixada Fluminense, São Gonçalo e Niterói também estão no programa.

Quais são os seus projetos para a segurança, para que as pessoas de bem tenham liberdade novo ?
Vou fazer mudanças radicais na segurança pública. O que temos agora é a política da matança. Segundo estatística da Polícia Militar, cerca de 150 PMs morrem por ano em confronto ou em decorrência deles. O confronto não é a solução, tem que usar a inteligência. O governo federal precisa cumprir sua função, impedindo a chegada de drogas e armas pelas fronteiras. Meu objetivo é deixar as polícias como Corpo de Bombeiros, que trabalha salvando vidas e é aplaudido pela sociedade. A polícia tem que exercer a sua autoridade, ser respeitada pela população e temida pelos bandidos. Quero a polícia cidadã aliada à população, acabando com essa história de atirar primeiro e perguntar depois.

E a corrupção na polícia?
A categoria precisa ser valorizada para esquecer a corrupção. Quero dobrar o salário do policial e estabelecer remuneração de, no mínimo, R$ 1,2 mil. Assim, vamos acabar com os chamados bicos que eles fazem para sobreviver. Quero dedicação exclusiva à corporação. Mas, para isso acontecer, o governo federal precisa ajudar. No meu governo, todos os policiais estarão nas ruas. Ainda quero criar um pelotão exclusivo para atender os turistas, com profissionais especializados e treinados.

Na campanha, em algumas ocasiões, parece que o senhor tenta imprimir o estilo de Brizola. Por quê?
Sempre aparece alguém e me diz: "Eu voto em você por lealdade ao Brizola". Isso não me incomoda nem um pouco. Pelo contrário, lealdade é uma palavra em desuso na política. Me sinto honrado em ter herdado a confiança que os eleitores tinham nele. Convivi com Brizola por mais de duas décadas e ele me ensinou muita coisa. Eu o conheci numa banca de jornal , em Ipanema, em 1979, onde eu trabalhava como jornaleiro. Eu me lembro, como se fosse hoje, da sua generosidade. Acabei, naturalmente, assimilando seu jeito de fazer política. Mas não o imito. Ele, por exemplo, falava pausadamente. Já eu sou muito acelerado, falo rápido.
 

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