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Quarta, 16 de agosto de 2006, 19h57  Atualizada às 21h39
Líderes latino-americanos têm preferência por Lula
 
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Apesar das duras declarações e insultos mútuos, os presidentes da Venezuela, Hugo Chávez, e do Peru, Alan García, têm algo em comum: os dois torcem para que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, candidato do PT, seja reeleito no dia 1º de outubro.

Cada um ao seu estilo, países como a Argentina, Paraguai, Uruguai e Bolívia, além do Peru e da Venezuela, todos parceiros comerciais e vizinhos do Brasil, já sinalizaram a sua preferência: a da continuidade do presidente à frente da condução do país.

"A Casa Rosada (sede do governo argentino) toda votaria em Lula", disse um diplomata argentino, que disse que nem Geraldo Alckmin (PSDB) e nem a sua equipe fizeram sequer um contato com o maior parceiro do Brasil no Mercosul para informar seus planos para o bloco, caso chegue à Presidência.

Postura semelhante existe no Paraguai. "(O presidente) Nicanor (Duarte) é muito amigo de Lula. Existem planos de cooperação em andamento, um diálogo fácil. Então, a preferência é o amigo", declarou um diplomata paraguaio.

Essa mesma mensagem se repete em Montevidéu. "O governo do presidente Tabaré Vázquez é ideologicamente favorável a Lula. Existem laços e diálogo", disse um funcionário do governo uruguaio. Esse interlocutor contou que, nas eleições de 2002, o então candidato do PSDB derrotado por Lula, José Serra, mostrou "desprezo" pelo Uruguai e pelo Mercosul. "Hoje, por parte de Alckmin, não há desprezo, mas indiferença", acrescentou.

Hugo Chávez e Alan García, de forma separada, manifestaram recentemente apóio a Lula. Na semana passada, o presidente peruano afirmou que torcia pela reeleição de Lula. "Meu coração está do lado esquerdo", declarou.

Chávez, aliado incondicional de Fidel Castro, atacou a "direita brasileira", que, de acordo com ele, tem procurado desestabilizar o presidente (Lula) com acusações de corrupção. Na última reunião de cúpula do Mercosul, com a presença de outros líderes latino-americanos, realizada na cidade de Córdoba, Argentina, o presidente venezuelano discursou: "ganha Lula, ganha Lula!".

O México, concentrado em seus próprios problemas da eleição do dia 2 de julho, cujo resultado ainda é contestado pela esquerda, parece ser o único país da região com uma posicão mais distante sobre os principais candidatos que disputam a Presidência no Brasil, com quem tem um comércio em franco crescimento.

O analista político Luciano Dias, do escritório de consultoria Goes, em Brasília, considera "normal" a preferência internacional por Lula, até porque, Alckmin não é conhecido nem mesmo dentro do Brasil. "Alckmin ainda não é um líder nacional. É paulista demais e isso explica, em parte, as suas dificuldades eleitorais. Ele sempre esteve centrado nos problemas de São Paulo", disse Dias.

Os quase quatro anos de governo também pesam na preferência latino-americana por Lula. Desde o dia 1º de janeiro de 2003, quando assumiu o governo no dia em que tomou o café da manhã com Chávez e jantou com Fidel Castro, o presidente brasileiro deu um impulso à integração da América Latina e, principalmente, no objetivo de criar um mercado comum sul-americano.

Daí que as exportações do Brasil à região já são maiores do que as vendas externas para os Estados Unidos, que ainda é o maior mercado individual para produtos brasileiros.

A política externa do governo brasileiro também tem tentado buscar um equilíbrio entre as tendências políticas de esquerda, dominantes na América do Sul, e os Estados Unidos. Isso trouxe ao presidente dividendos, respeito e projecão internacional, além de tê-lo transformado em uma espécie de moderador nas tensões regionais.

Eduardo Azeredo, senador do PSDB e vice-presidente da Comissão de Relações Exteriores do Senado, explicou que Alckmin, caso chegue ao poder, reforçará os laços com o México, Colômbia e Chile, países que considera possuírem, em política externa, "a mesma visão moderna" de seu partido.

Azeredo criticou a proximidade entre Lula e Chávez, mas reconheceu que seria difícil usar esse fato para tentar tirar votos de Lula, já que, tradicionalmente, política externa não tem um peso muito grande entre o eleitorado.

Dentro do governo essa análise coincide. Funcionários disseram que seria difícil a oposição "bater em Lula" pela amizade com Chávez, como ocorreu no Peru, em relação ao candidato derrotado Ollanta Humala, e no México, com o candidato de esquerda Adrés López Obrador.

"Lula já mostrou quem é e o que é. Não é a mesma coisa que um candidato que está começando", disse um funcionário do governo. Ele acrescentou que a política externa será um tema marginal na campanha do candidato do PT, e, caso seja mencionada, Lula tem bons resultados para mostrar. "O comércio cresceu, a venda de produtos brasileiros também, assim como cresceu a influência do Brasil", disse.

O analista Luciano Dias também não vê risco em qualquer associação com o presidente venezuelano. "Aqui não é o Peru, um país menor. Aqui, mais do que uma ameaça, Chávez é visto como um personagem folclórico. Alguns setores da classe média alta podem até se sentir atingidos, mas esses não votam em Lula", acrescentou.
 

Reuters

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