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Quarta, 16 de agosto de 2006, 16h48  Atualizada às 17h51
Funcionário do BB constrange Lula em visita oficial
 
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Oficialmente, tratava-se de uma visita de inspeção do presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao Banco do Brasil, em Brasília, mas um funcionário, que não foi identificado, levantou-se cantando "ole, olá, Lula, Lula", ao final do discurso do presidente. Lula, que estava sorrindo, fechou o semblante e balançou o indicador da mão direita, silenciando o eleitor inoportuno. Ninguém acompanhou o funcionário no coro. O caso é mais um constrangimento provocado pela dupla condição de candidato e chefe de governo de Luiz Inácio Lula da Silva.

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Lula silenciou o funcionário, mas isso não impediu que sua visita ao Banco do Brasil se transformasse, na prática, em um evento favorável ao governo e à campanha da reeleição. Já na chegada, recebido pelos funcionários da Diretoria de Agronegócios, Lula fez uma brincadeira sobre os salários dos funcionários do banco estatal: "Vocês nem pensem em entrar em greve." Lula tirou fotos com funcionários e funcionárias do banco. Uma delas, Rubenice Pena, deu um par de brincos de prata e cristal a dona Marisa Letícia, mulher de Lula.

Numa apresentação da diretoria sobre o desempenho do banco no governo Lula, foram projetados num telão 11 gráficos comparando resultados com os do governo anterior, da base de clientes ao valor das ações, todos favoráveis ao governo Lula. O diretor de Responsabilidade Socioambiental, Luiz Osvaldo Santiago, apresentou as ações sociais do banco estatal como "o Brasil novo que a gente espera construir". Em um filme exibido em seguida, o pequeno criador de cabras Manuel Antão, de Quixadá (CE), financiado pelo banco, agradecia "a oportunidade que o governo Lula nos deu".

Em seu discurso, Lula voltou a dizer que o banco estatal não será privatizado e retomou a questão dos salários, para dar um recado aos dirigentes sindicais dos bancários, muito influentes no PT. "Nunca mais vocês foram chamados de marajás, porque sabemos que os funcionários precisam ser bem remunerados para construir um banco eficiente", disse o presidente. A Instrução 107 do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), que disciplina a conduta de autoridades públicas durante a campanha eleitoral, proíbe a utilização de prédios públicos, mesmo os da administração indireta, em atos a favor de qualquer candidato.

A vida dupla de presidente e candidato tem levado os assessores de Lula no Palácio do Planalto e os coordenadores da campanha eleitoral a fazer esforços para distingüir as agendas, nem sempre com sucesso. "Às vezes nem eu sei se estou falando como presidente ou candidato", queixou-se Lula terça-feira, durante cerimônia no Planalto.

Reeleição
Desde a primeira campanha prevendo reeleição de presidente e governadores, em 1998, o TSE permite que governantes candidatos utilizem residências oficiais, veículos, agentes de segurança e parte da assessoria direta nas campanhas, mas impõe outros limites. "É uma legislação improvisada e em alguns aspectos hipócrita, porque permite o máximo, a reeleição no cargo, mas proíbe minúcias", comentou um ministro do TSE que pediu para não ser identificado.

O presidente tem evitado falar em temas políticos e eleitorais durante a agenda de chefe de governo, divulgada pela Secretaria de Imprensa do Planalto, mas procura sempre abrir uma "janela" para aparecer nos noticiários da televisão. Na visita ao Banco do Brasil, por exemplo, Lula se aproximou dos repórteres para falar de futebol. Comemorou a ida do técnico Emerson Leão para o Corinthians, seu time, e comentou a final da Copa Libertadores, entre Internacional e São Paulo nesta quarta-feira.

Para o final da tarde desta quarta-feira, já como candidato, Lula agendou um encontro com professores públicos de Brasília, quando deve tratar diretamente de questões políticas. A agenda "de candidato" não é divulgada pelo Planalto, mas pelo PT. Foi durante uma agenda "de candidato" (a reunião do conselho político da campanha, segunda-feira, no Alvorada), que Lula falou pela última vez da crise de segurança em São Paulo. Alguns auxiliares de Lula e dirigentes do PT sugerem que o presidente se licencie do cargo no final da campanha, para se dedicar exclusivamente à eleição, mas ele resiste à idéia.


 

Reuters

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