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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva admitiu pela primeira vez que a política econômica de seu governo transferiu às instituições financeiras do Brasil lucros excessivos visto "poucas vezes na história".
"Banqueiro não tinha por que estar contra o governo, porque os bancos ganharam dinheiro. Eu preferia que eles ganhassem dinheiro do que ter de fazer um Proer", disse o presidente durante minicomício em Brasília, referindo-se ao programa de ajuda às instituições financeiras instituído pelo governo do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso.
"As empresas brasileiras ganharam dinheiro como poucas vezes na história, então essa gente não tinha por que estar com tanta raiva e preconceito", disse Lula para cerca de 2 mil pessoas que compareceram ao evento.
Em quase uma hora de discurso, o presidente procurou identificar-se como vítima do preconceito de classes por parte do poder econômico e da oposição, que ele mesmo classificou como "senhores de engenho" do Brasil imperial. "Não há um medo do Lula, é a questão preconceituosa que não aceita pessoas de outras camadas da sociedade assumindo espaços políticos que eram deles. Antes de mim, pobre só era utilizado em palanque para bater palmas para eles. Não era ator principal."
O presidente-candidato prometeu não falar mal de adversários, mas fez comparações de gestão e prometeu que, para retomar o comando do país, o PSDB e o PFL vão ter que "roer o osso".
"Só tem medo de discutir o passado quem não tem passado ou quem tem vergonha do seu passado", desafiou o presidente convocando a oposição a "discutir o que ela quiser".
Ao descer do palanque, Lula, mesmo protegido pelos seguranças do Palácio do Planalto, foi agarrado pelos populares, a maioria militantes do PT.
Com os cabelos desarrumados e com a lapela do paletó molhada de suor, o presidente fez questão de abraçar, para desespero da segurança oficial, todas as pessoas que o chamavam ao longo do trajeto até a entrada do prédio onde fica o comitê nacional de sua campanha à reeleição.
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