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Sexta, 14 de julho de 2006, 20h28  Atualizada às 21h00
Lula se diz longe da esquerda e quer manter política econômica
 
Reuters
Lula concede entrevista no Palácio do Planalto
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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva procurou se distanciar de formação esquerdista e garantiu que, caso seja reeleito em outubro, manterá as políticas econômicas conservadoras adotadas no governo atual. As afirmações foram feitas por Lula em uma entrevista, na quinta-feira, dia em que realizou o seu primeiro ato da campanha à reeleição.

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"Você pode melhorar porque você já tem quatro anos de experiência, quatro anos de maturação, porque tem muitos projetos em andamento no Brasil. (...) Então, não há por que mudar, há o que aperfeiçoar", afirmou Lula. "Eu nunca fui um esquerdista", declarou Lula que, na época de militância no Partido dos Trabalhadores chegou a defender o fim da dívida externa e o rompimento com o Fundo Monetário Internacional (FMI).

As afirmações buscam tranqüilizar investidores preocupados com a possibilidade de Lula retornar para um governo de esquerda a fim de satisfazer os seus eleitores. Lula foi eleito com grande maioria de votos em 2002, no entanto, a maioria do seu eleitorado ficou desiludido com suas políticas econômicas conservadoras.

"O pessoal tem a mania de achar que nós temos, aqui no Brasil, uma política de ministros. Nós temos política de governo. A política econômica não era do ministro Palocci e não é do ministro Guido, a política econômica é do governo. Portanto, qualquer ministro que vier para o Ministério do Trabalho, para o Ministério da Fazenda, vai continuar cumprindo as determinações da política econômica do governo", disse.

Lula acha que em um segundo mandato algumas frentes do governo devem ser aperfeiçoados pela experiência adquirida e por projetos que estão em andamento e por isso sua receita de trabalho para mais quatro anos parece muito simples.

Como candidato, o presidente indica que sua participação nos debates eleitorais tende a acontecer "se houver um segundo turno e se eu estiver no segundo turno". "É preciso saber quais são os critérios. Meu antecessor (o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso) não participou de debates na campanha de reeleição. Porque na verdade você tem quatro ou cinco candidatos e todos virão para cima do presidente. Num segundo turno aí sim, você faz debate tête-à-tête com o adversário e você pode discutir programas e idéias."

Na agenda do presidente para o segundo mandato, as reformas voltam a ser prioridade e entre elas a eleita do presidente como prioridade número zero é a reforma política. "A reforma política é imprescindível. O Brasil não pode continuar com a organização partidária tal como ela está", disse ele esperando que os partidos da base do governo apresentem uma proposta de reforma política que contemple as questões de fidelidade partidária e financiamento público de campanha logo no começo do ano para ser votada pelo novo Congresso. "Esse Congresso acho que já não vota mais nada", admitiu o presidente.

O presidente garante estar convencido de que a entrada do Brasil no seleto clube dos países ricos depende do investimento em educação e ressaltou que, ao contrário da suspeita pública, ele não se vê como um político de esquerda. "Eu nunca fui esquerdista. Quando alguns companheiros meus americanos, europeus, me chamavam de esquerdista, aqui no Brasil eu era chamado de agente da CIA pelo Partido Comunista Brasileiro e de a muleta da ditadura pelos trotskistas", disse, sem definir como ele próprio se vê politicamente.

Congresso
Lula disse acreditar que o atual Congresso não vai mais conseguir votar matérias importantes, que terão que ficar para os parlamentares que serão eleitos em outubro.

"Primeiro nós temos que esperar o resultado eleitoral para ver que tipo de Congresso será eleito. O Congresso, obviamente, tem suas formas próprias de funcionamento. O Congresso me criou problemas, mas também votou coisas importantes que nós queríamos que fossem votadas. (...) Quantas vezes um governo americano ganhou as eleições quando o presidente era republicano e a maioria era democrata e vice-versa? E eles governaram."

A administração do presidente Lula não tem maioria no Congresso e o partido dos Trabalhadores (PT) perdeu vários assentos no ano passado como resultado de um escândalo de corrupção que manchou a sua imagem. O partido foi acusado de usar fundos ilícitos para financiar campanhas eleitorais e ganhar apoio no congresso.
 

Reuters

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