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A corrida eleitoral em Goiás teve sua primeira definição já em 2005, quando o governador Alcides Rodrigues (PP) anunciou pré-candidatura à reeleição, e não deve ter mudanças no painel estabelecido atualmente, apesar de ainda ocorrer disputas para definição de vices e alianças. Alcides, que foi vice-governador de Marconi Perillo (PSDB) por dois mandatos, recebeu o seu apoio e inibiu a candidatura de outros partidos da base aliada.
Da mesma maneira, a candidatura provocou o PMDB, que em Goiás tem nomes fortes como Íris Rezende, atual prefeito de Goiânia, e o senador licenciado Maguito Vilela, declarado pré-candidato ao governo.
O terceiro nome na corrida é do senador Demóstenes Torres, do PFL, mesmo partido que Ronaldo Caiado, nome tradicional na política goiana. Demóstenes, ex-secretário de segurança do governo de Perillo, não contará com o apoio do ex-governador e terá dificuldade de formar sua coligação, pois o PFL está aliado ao PSDB em âmbito nacional e a candidatura própria dependerá da intervenção do diretório nacional na legenda no Estado.
O partido está rachado: uma ala, ligada ao deputado Vilmar Rocha, prefere se coligar com a chapa de Alcides; outra pequena ala defende a candidatura solo de Demóstenes, mesmo sem aliados.
O Psol também tem candidato em Goiás, o vereador Elias Vaz, sem muita expressão eleitoral. Assim, da mesma forma que ocorreu em 1990, serão quatro os candidatos ao governo estadual.
Susto
A eleição em Goiás esteve por dois dias prestes a mudar devido à decisão do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), no dia 6 de junho, de ser mais rigoroso na interpretação da verticalização. Com a nova interpretação, todas as negociações voltariam à estaca zero.
A candidatura de Alcides poderia cair por terra, e o PSDB deveria se aliar ao PFL de Demóstenes. Ou seja, todos os planos de Marconi Perillo deveriam mudar. Para Maguito Vilela (PMDB), seria ainda pior: ficaria fora da disputa, caso o PFL, PSDB e PMDB se unissem nacionalmente. Combinação que seria uma bomba em Goiás, onde partidos como PMDB e PSDB são opostos declarados.
Passado o susto, desde quinta-feira, os políticos goianos passaram a respirar aliviados e voltaram a pensar nas convenções, autorizadas entre os dias 10 e 31 deste mês. A real preocupação agora é a busca por alianças e definição dos vices.
Alianças e vices
A rivalidade encabeçada pelo PSDB e pelo PMDB em busca do governo estadual perdura por pelo menos oito anos, quando Marconi Perillo (PSDB) venceu Íris Rezende (PMDB) nas eleições e quebrou a hegemonia pemedebista de doze anos no poder. Com o slogan "Tempo Novo", Perilllo se destacou e se tornou nome forte na política.
Apesar de ter sido vice de Perillo nos dois mandatos, Alcides (PP) não tem a mesma força que ele e sua imagem deverá ser construída ao longo da campanha. Para tal, a aliança entre PSDB, PP, PTB e PPS já está consolidada e começa a surtir efeitos. Segundo pesquisa, Alcides está em ascensão.
Para a vaga de vice, há impasse. As especulações apontam um candidato do PFL, minando a intenção de Demóstenes em concorrer. Caso isso não ocorra, o vice será do PL, do deputado Sandro Mabel, cujo alvo principal é o ex-prefeito de Aparecida de Goiânia, Ademir Menezes. Ao que tudo indica, a aliança com o PFL é improvável, principalmente depois do pedido de intervenção feito por Demóstenes à executiva nacional.
Ademir Menezes (PL) é líder do segundo maior colegiado eleitoral do Estado, Aparecida de Goiânia, mas seu partido ainda não decidiu de que lado ficará. A indicação não é unanimidade nem na coligação PSDB-PP. O pré-candidato Alcides acredita que uma aliança com um nome forte do interior dará mais consolidação à campanha. Por este motivo, já intensificou suas visitas ao interior do Estado.
Nenhum partido respirou mais aliviado que o PMDB depois do recuo do TSE. Se a verticalização fosse de fato rígida, a legenda deveria desistir de ter em seu palanque os partidos da extinta "Frente Alternativa": PT, PSB e PCdoB. A aliança já foi firmada com o Prona, PMN e PSC, e as conversas estão avançando com PT, PSB, PC do B e PDT.
O dilema também é a escolha do vice. Isso porque uma ala do PMDB não abre mão da chapa pura, ou seja, do vice do mesmo partido. Uma segunda ala quer entregar a vice ao PT, mas com insatisfação recebeu o nome de Valdi Camarcio para o cargo. E há ainda uma terceira ala que quer aliança com o PSB e a nomeação de Barbosa Neto para composição da chapa.
O PT goiano faz questão de indicar o vice para se aliar ao PMDB e especialmente o nome de Valdi Camarcio. Entretanto, o nome expressivo da legenda para ocupar este cargo, segundo o PMDB, é o deputado federal Rubens Otoni, que já tem reeleição garantida e não quer correr risco.
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