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Segunda, 1 de novembro de 2004, 09h25 
Análise: erro do PT foi achar que tinha maioria
 
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Após o resultado do 2º turno em São Paulo onde José Serra (PSDB) tirou o PT da prefeitura ao derrotar Marta Suplicy, foi unânime a avaliação de que os petistas se enganaram ao achar que teriam a maioria dos votos no maior colégio eleitoral do País. "O PT não tem 50% da preferência do eleitorado paulistano", disse o cientista político Jairo Nicolau, do Iuperj, acrescentando que, se é verdade que "São Paulo é um reduto petista, também é um reduto antipetista".

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    Para Plinio Dentzien, pesquisador do Centro de Estudos de Opinião da Unicamp, nenhuma força política tem maioria em São Paulo e um dos problemas da campanha petista teria sido acreditar que isso tinha mudado. "Talvez a campanha da Marta tenha imaginado que durante a gestão de quatro anos dela tivesse construído essa maioria que nunca existiu", avaliou Dentzien.

    O vereador reeleito Ricardo Montoro (PSDB) disse que os eleitores paulistanos rejeitaram a federalização da campanha eleitoral. Na campanha, a candidata à reeleição sempre destacou a importância de a prefeitura ter uma ligação direta com o Governo Federal de Luiz Inácio Lula da Silva.

    Além de perder a capital paulista, o PT sofreu outro duro golpe no domingo ao ver encerrada uma hegemonia de 16 anos em Porto Alegre, onde o ex-prefeito petista Raul Pont foi derrotado por José Fogaça (PPS), apoiado por uma ampla coalizão no segundo turno. "Vamos agora, com o tempo, avaliar tudo isso, aprender com as derrotas como nós sempre soubemos aprender ao longo da nossa história", disse o senador Aloizio Mercadante (PT-SP).

    O presidente do PT, José Genoino, seguiu a mesma linha ao comentar rapidamente os resultados do domingo, dizendo que o partido fará uma análise com "cabeça fria e humildade" sobre o que deu errado e o que deu certo.

    A derrota em São Paulo
    Para o cientista político Jairo Nicolau, do Iuperj, uma série de fatores levou à derrota do PT em São Paulo - entre eles, o fato de Marta ter enfrentado "um candidato presidencial, do principal partido de oposição" ao governo Luiz Inácio Lula da Silva. Em 2002, Serra disputou a Presidência com Lula.

    Ao comentar o resultado, o senador Aloizio Mercadante (PT-SP), lembrou que mesmo no segundo turno da eleição presidencial em 2002, quando Lula bateu Serra por larga margem no país, a vitória em São Paulo foi bastante apertada.

    Além disso, Serra foi um ministro da Saúde bem avaliado, justamente a área em que a gestão da prefeita era vista como mais vulnerável, segundo Nicolau. A figura da prefeita, com o uso da imagem de arrogância pelo adversário também contribuiu para o resultado.

    O presidente da Associação Brasileira de Consultores Políticos, Carlos Augusto Manhaneli, é ainda mais direto e diz que a prefeita Marta Suplicy passou a perder popularidade quando começou a "mexer na cidade, fazer túneis".

    Com a divulgação dos resultados, Marta fez questão de agradecer à periferia. Para líderes petistas, sua votação na região foi uma resposta positiva ao que consideram "inversão de prioridades" estabelecida pela prefeita. "Acho que, pela primeira vez, houve uma inversão de prioridades de governar, sobretudo para aqueles que mais precisam", comentou Mercadante.

    Marta obteve 74% dos votos na região de Grajaú e Parelheiros e 58% no Capão Redondo, na zona sul da cidade. Recebeu ainda 66% dos votos em Guaianazes e 52% em Itaquera, na zona leste.

    O ministro-chefe da Casa Civil, José Dirceu, aproveitou também para levantar a bola da candidata derrotada. "Ela venceu as eleições nas periferias de maneira muito boa. Acredito que sai da eleição, apesar de derrotada, com muita força político-eleitoral", disse a jornalistas.

    O resultado nacional
    Apesar desses reveses, o PT obteve 11 vitórias entre as 23 cidades nas quais disputou o segundo turno - sendo o partido mais votado no domingo, somando 6,9 milhões de votos. O PSDB, mesmo levando São Paulo, obteve 6,2 milhões de votos.

    Mas somada a população das cidades onde venceu, percebe-se melhor que o desempenho não foi tão bom, especialmente se comparado com o PSDB. Enquanto os tucanos passam a governar 16 milhões de pessoas com as cidades ganhas no segundo turno, o total do PT soma pouco menos da metade disso, 7,5 milhões.

    "São Paulo e Porto Alegre são perdas irreparáveis. É hora de a gente unir forças e fazer uma avaliação franca e honesta sobre o desempenho do partido no Brasil", disse em Fortaleza Luizianne Lins. Relegada na campanha do primeiro turno pela cúpula nacional do PT, que apoiou Inácio Arruda (PCdoB), Luizianne obteve a principal vitória petista no domingo.
     

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    Redação Terra