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Porto Alegre
Sábado, 30 de outubro de 2004, 00h40  Atualizada às 02h25
Fogaça e Pont trocam acusações em Porto Alegre
 
Tiago Abech
 
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Os candidatos à Prefeitura de Porto Alegre participaram na noite de sexta, na RBS TV, do último debate antes da votação. Durante quase duas horas, José Fogaça (PPS) e Raul Pont (PT) discutiram propostas sobre educação, habitação, saúde e transporte. O clima do debate esquentou quando os candidatos promoveram uma troca de acusações, especialmente sobre aposentadoria e uso do dinheiro público na campanha. Questionamentos sobre o Fórum Social Mundial (FSM) e sobre o Orçamento Participativo (OP) também marcaram o encontro.

Fogaça permaneceu sustentando que vai "manter as coisas boas, entre elas o OP e o FSM, e mudar o que é preciso". Pont reafirmou que "fará mais" pela capital, citando o que considera avanços já conquistados por 16 anos de administração petista.

Críticas e polêmicas
Em vários momentos, o clima "esquentou". O primeiro a "alfinetar" foi Pont, que sugeriu que Fogaça não teria palavra pois, mesmo prometendo que não concorreria mais a cargos publicos, voltou a se candidatar e que, por isso, se desligou de uma empresa de comunicação. O ex-senador respondeu que não faltou com a ética e que deixou o emprego antes de decidir ser candidato.

O petista voltou a criticar Fogaça ao acusar o ex-senador de não trabalhar por Porto Alegre durante os 16 anos em que esteve no Senado e de ter se aposentado em regime especial. "Ele (Fogaça) recebe o triplo do teto do INSS, tendo contribuído apenas 16 anos com o fundo previdenciário do Senado, que não existe mais", reclamou Pont. Fogaça negou, explicando que houve mudanças na lei.

Pont também criticou a lei Kandir (cujo relator foi Fogaça) que, segundo ele, prejudicou os Estados e municípios. O ex-senador afirmou que, graças à lei, as exportações aumentaram e que as desonerações deveriam ser ressarcidas pelo governo federal. Pont afirmou que Lula está repassando o que Fernando Henrique não repassou.

Em outro momento, Fogaça partiu para o ataque dizendo que Pont utilizou dinheiro do gabinete de deputado estadual, na Assembléia Legislativa, para, antes mesmo do início da campanha, divulgar a candidatura. O petista negou e garantiu que não há decisão judicial sobre o assunto. "Reconhecemos algumas falhas, mas não há nada definitivo", acrescentou.

Considerações finais
Em três minutos, Fogaça voltou a afirmar que "Porto Alegre tem uma história, tem um patrimônio. É muito honroso governar essa cidade, e é meu sonho". Fogaça acrescentou que assumiu compromissos com os candidatos derrotados de implantar políticas que eles implantariam se tivessem siso eleitos. "Vou construir os Cieps, do Vieira; vou priorizar os bairros, como queria o Mendes; vou cuidar da Saúde, como faria o Jair e vou implantar a passagem única, como desejava o Onyx".

Pont usou o tempo para dizer que "a verdadeira cara de Porto Alegre é a da sua população e é exatamente por ouvirmos o povo que conseguimos construir a participação popular", criticando o slogan de Fogaça (A cara da cidade, o nome da mudança). "É o nosso projeto que aponta para o futuro, com projetos habitacionais, sócio-ambientais, na área da saúde", acrescentou o petista. "Temos programas para os empresários e para os trabalhadores, temos ética", declarou Pont

Direito de resposta
Mesmo com o clima "quente", o debate foi considerado de alto-nível por ambos os candidatos, tanto que não houve pedidos de direito de resposta. Para evitar episódios como o do fim de semana passado - quando militantes das duas coligações chegaram a se agredir fisicamente e foram parar na delegacia e no hospital -, os simpatizantes foram orientados a não ir ao local do debate para "torcer". Os petistas não apareceram. Os militantes de Fogaça não passaram de 50 no lado de fora dos estúdios da RBSTV.
 

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Redação Terra