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Manaus
Quarta, 20 de outubro de 2004, 20h04 
Suposta paternidade de candidato agita Manaus
 
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A campanha eleitoral do Amazonas ganhou novos tons. Através de um programa de televisão, apresentado pelo vereador reeleito Sabino Castelo Branco (PFL), a médica anestesista Maria Socorro Elias Pereira, de 33 anos, acusou o candidato Serafim Correa (PSB) de ser o pai de um filho dela, de se recusar a reconhecer a paternidade e ainda de estar ameaçando-a de morte.

Para um candidato que conduziu a campanha em cima da moral e dos bons costumes, a denúncia da médica poderia ser fatal. Tanto que Serafim Correa, através de sua assessoria, foi investigar a procedência da denúncia e descobriu que a mesma médica já esteve envolvida em caso semelhante, em Recife, desta vez acusando o desembargador Etério Ramos Galvão, ex-presidente do Tribunal de Justiça de Pernambuco.

Naquela oportunidade, em 2000, ela disse ter engravidado do desembargador, seqüestrada e submetida a um aborto forçado. As acusações de Soraia contra Serafim Correa, agora em Manaus, são muito parecidas às anteriores. Segundo seu depoimento, o economista candidato a prefeito a teria engravidado em 2003, assim que ela se mudou para a capital amazonense "fugindo da perseguição do desembargador em Recife".

Mas até mesmo alguns de seus parentes, que ainda moram em Pernambuco, declararam que ela aparenta certo desequilíbrio mental. Contra ela pesa também o depoimento de seus vizinhos, no Parque Dez, bairro de classe média onde mora em Manaus, desfavorece seu depoimento. Segundo eles, ninguém viu a médica grávida.

"Ela mora aqui há mais ou menos três anos. Nunca ninguém viu ela grávida", disse uma das vizinhas, que preferiu não de identificar, com medo de alguma represália tendo em vista de o fato envolver pessoas da política.

Ainda segundo investigação da assessoria do candidato, a médica teria agido de forma semelhante contra um neurocirurgião de Recife, com quem manteve um relacionamento afetivo. A partir daí, ela teria extorquido o médico com ameaças de relatar o caso para sua esposa e filhos.

O aparecimento da médica acusando o candidato do PSB está sendo creditado pelos membros do partido à volta do marqueteiro político Egberto Baptista à campanha do seu adversário, Amazonino Mendes (PFL). Poucos se lembram que foi Egberto quem, em 1989, levou ao programa eleitoral o caso Lurian, filha supostamente não reconhecida do então candidato a presidência da República, Luiz Inácio Lula da Silva com Miriam Cordeiro.

O aparecimento de Lurian foi considerado decisivo para a eleição em 1990 em favor de Fernando Collor de Mello. Serafim Correa acusou diretamente o candidato Amazonino Mendes e seu marqueteiro de estarem montando esta farsa para evitar a derrota nas eleições deste segundo turno.

"Como ele não pode me acusar de qualquer crime, patrocina essa farsa para ver se consegue me desmoralizar", afirmou. O candidato do PSB disse que a farsa começou a ser montada em 2003, quando a médica começou a freqüentar as reuniões do partido e tentado uma aproximação com ele. "Como não conseguiu se aproximar, passou a me ameaçar", disse.
 

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