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A diferença dos critérios adotados pelo governo estadual e pela prefeitura de São Paulo para a compensação da folga do Dia do Funcionalismo Público, em 28 de outubro, trouxe à tona definitivamente o fator do feriado prolongado no fim de semana do segundo turno, que acontece dia 31 de outubro.
Por trás das decisões da prefeita Marta Suplicy (PT) e do governador Geraldo Alckmin (PSDB) os adversários vêem manobras para afastar ou manter o eleitor na cidade no dia da votação.
O governo do Estado optou por antecipar a folga do feriado do dia 28 para a próxima segunda-feira, dia 11. Com isso, os funcionários estaduais trabalharão normalmente no Dia do Funcionalismo para folgar nos dias 11 e 12 sem precisar compensar a emenda do próximo fim de semana.
Marta Suplicy preferiu concentrar as folgas no fim de semana da eleição. A prefeita transferiu o feriado da quinta, 28, para sexta ao criar um ponto facultativo.
Como a terça-feira seguinte, 2 de novembro, é Dia de Finados, Marta também decretou ponto facultativo na segunda, dia 1o, criando uma ponte. A eleição será no domingo, 31.
Assim, os funcionários municipais terão cinco dias consecutivos de folga, dois dias antes e dois depois da eleição.
Nos bastidores de ambas as campanhas, comenta-se que um feriado prolongado no fim de semana da eleição, que pode afastar muita gente da cidade, beneficiaria Marta Suplicy.
A prefeita está em desvantagem em relação ao seu adversário, o tucano José Serra, entre as camadas da população com maior poder aquisitivo e, portanto, com maiores condições de viajar durante as folgas.
A solução encontrada pelo governo estadual reduz o feriado prolongado e, teoricamente, mantém eleitores na cidade. Já a saída encontrada pela prefeitura estica as folgas, estimulando quem quiser viajar.
O governo do Estado foi o primeiro a definir os critérios para a folga. Geraldo Alckmin nega que tenha havido qualquer influência da eleição em sua decisão.
"Não tem nada a ver com eleição", disse. "O que nós fizemos, o que nos parece razoável, beneficia o interesse público, porque você não emenda tudo e ao mesmo tempo facilita a vida das pessoas."
Alckmin evitou relacionar a fórmula adotada pela prefeita à disputa eleitoral. "Nem vou entrar no mérito da eleição. O fato é que você vai ter uma semana inteira sem trabalho", disse.
Marta demonstrou estranhar as insinuações sobre os motivos que a teriam levado a dar os dois pontos facultativos. "(Esse) não é um feriado novo, é um feriado que costumamos dar tradicionalmente, como dei no ano passado", afirmou.
José Serra criticou a atitude da prefeitura. "Ela podia ter alterado a data para favorecer a presença das pessoas em São Paulo", disse. "Mas eu acredito que os paulistanos vão ficar aqui para votar, porque é um voto que decide o que vai acontecer nos próximos quatro anos."
O deputado estadual e presidente estadual do PSDB, Edson Aparecido, é mais enfático ao criticar a prefeita. "Mudar nesse momento pode significar a tentativa de esvaziar a eleição, com receio de que a derrota possa ser ainda maior", disse.
Mais tarde, a assessoria de imprensa da prefeitura ressaltou que a decisão dos pontos facultativos junto ao Dia do Funcionalismo é baseada em uma questão administrativa rotineira que não tem qualquer ligação com o calendário eleitoral.
Segundo a assessoria, no ano passado, quando o dia 28 caiu numa terça-feira, a folga foi trocada pela segunda-feira. Neste ano, o ponto facultativo extra do dia 1o de novembro será compensado em parte pelo trabalho da próxima segunda-feira, véspera do feriado do dia 12.
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