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Conjunto de fatores explica reviravolta na eleição no RS

José Ivo Sartori (PMDB) que tinha apenas 5% no final de agosto obteve 40,40% dos votos no 1º turno

6 out 2014
12h00
atualizado às 12h03
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De virada, José Ivo Sartori (PMDB) conquistou uma das vagas para o 2º turno da eleição ao governo do Estado no Rio Grande do Sul. Sartori, que no final de agosto tinha apenas 5% de intenções de votos nas pesquisas chega ao segundo turno à frente do governador licenciado Tarso Genro (PT), candidato à reeleição - o peemedebista obteve 40,40% dos votos, ante 32,57% do petista.

Candidato do PMDB ao governo gaúcho, José Ivo Sartori concede entrevista após o resultado que o coloca no 2º turno
Candidato do PMDB ao governo gaúcho, José Ivo Sartori concede entrevista após o resultado que o coloca no 2º turno
Foto: Marcelo Camargo / Agência Brasil

Em uma disputa polarizada por Tarso e Ana Amélia Lemos (PP), Sartori foi crescendo aos saltos - principalmente na última semana da campanha. Em apenas uma das pesquisas divulgadas, no sábado, o peemedebista aparecia empatado com Ana Amélia. Na boca de urna, Sartori apareceu à frente de pepebista, mas com menos votos do que Tarso.

Ontem à noite, após a confirmação do resultado, Sartori se pronunciou na sede do diretório municipal do PMDB em Porto Alegre. “A população quer mudança e esse é o nosso caminho”, resumiu. Ele fez muitos agradecimentos, e lembrou a militância que não existe eleição ganha.

É bem verdade que Sartori, prefeito de Caxias do Sul (a segunda maior cidade do RS) por dois mandatos, insistia desde o início da campanha que, se dependesse das pesquisas, também não teria ganho as duas eleições consecutivas em Caxias, nos anos de 2004 e 2008. Mas, com Tarso e Ana Amélia travando uma disputa ferrenha, poucos lhe deram ouvidos.

Ele também se referia sempre à eleição de outro peemedebista, o ex-governador Germano Rigotto, em 2002. Naquela eleição, Antônio Britto (PPS) e Tarso Genro polarizavam a corrida. Mas Rigotto saiu de um patamar de 3% e venceu a eleição.

Situação semelhante aconteceu em 2006, apesar de os peemedebistas preferirem esquecê-la. Em 2006 foi a vez de Rigotto e Olívio Dutra (PT) serem os favoritos. E de Yeda Crusius (PSDB) vencer no final. Rigotto, então governador, sequer passou para o segundo turno.

Fatores da virada
Ontem, a avaliação no comando de campanha do PMDB era de que uma série de fatores se somou para a virada. O sucesso da estratégia de apresentar Sartori como um homem simples, honesto e trabalhador, características atribuídas aos descendentes de italianos que colonizaram a Serra gaúcha, sua região de origem, foi um dos principais deles.

Em uma disputa na qual os favoritos se atacavam o tempo inteiro, a ideia de se colocar como uma alternativa menos belicosa também funcionou. O slogan de campanha de Sartori “Meu partido é o Rio Grande” toma por mote a diminuição das conhecidas divisões protagonizadas pelos gaúchos.

<p>Sartori vai procurar pela direção do PP e a candidata Ana Amélia para receber apoio no 2º turno</p>
Sartori vai procurar pela direção do PP e a candidata Ana Amélia para receber apoio no 2º turno
Foto: Divulgação

Por fim, ao registrar linha ascendente nas pesquisas, o candidato conseguiu se apresentar como alternativa para concentrar o chamado voto antipetista. Internamente, é acrescentado à avaliação o potencial individual de Sartori, que não dependeu de outros candidatos para crescer.

No final de agosto, quando sua candidatura ainda estava no começo, parte de seus apoiadores acreditavam que a entrada do senador Pedro Simon (PMDB) na corrida ao Senado poderia ajudá-lo a melhorar os índices. A estimativa não se confirmou. Simon terminou ontem a corrida ao Senado em terceiro lugar, com 16,08% dos válidos.

Também no final de agosto, quando Marina Silva (PSB) surfava em sua própria “onda de nova política”, lideranças do PMDB gaúcho acreditavam que ela iria “puxar” Sartori. O candidato pemedebista fechou uma aliança local com o PSB e apoiava Marina para a presidência, apesar de parte do PMDB gaúcho estar com Dilma. Ontem, Marina encerrou o primeiro turno com 11,5% dos votos no RS.

Dilma e Tarso Genro, candidato a reeleição de governador do Rio Grande do Sul, posam juntos após votação neste domingo (5)
Dilma e Tarso Genro, candidato a reeleição de governador do Rio Grande do Sul, posam juntos após votação neste domingo (5)
Foto: Felipe Dana / AP
Tarso na ofensiva
Para o 2º turno, porém, Sartori deve fazer algumas alterações. Primeiro, terá que decidir como se posicionará em relação à disputa entre Dilma e Aécio. E, ao mesmo tempo, passar a definir a estratégia para enfrentar a investida dos petistas, que promete ser forte. Ainda ontem à noite, Tarso avisou que o PT pretende partir para o debate “aprofundado.”

“Não pensem que estamos abatidos, chateados ou nos sentindo injustiçados. Este é um processo político que termina em uma segunda etapa. Durante todo o tempo do primeiro turno, fomos atacados por todos”, afirmou o petista. “O candidato Sartori, que eu respeito, não apresentou nenhuma proposta e foi mostrado como alguém de fora da política. Isso não é verdade. Ele é um político partidário que tem responsabilidades em relação ao Estado. Vamos mostrar as contradições do seu discurso”.

Desde ontem, tanto Tarso como Sartori articulam o apoio de outros partidos, em especial o PDT. Sartori também vai procurar pela direção do PP. E Tarso pretende conversar com lideranças municipais progressistas.

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Fonte: Especial para Terra

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