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Campeões de votos, Freixo e Bolsonaro mostram paradoxo no RJ

Candidatos de posturas completamente distintas são os deputados estadual e federal, respectivamente, mais votados na eleição do Rio de Janeiro. O Terra conversou com os dois e perguntou: estaria o Estado dividido ideologicamente entre a esquerda liberal e a direita conservadora?

6 out 2014
14h05
atualizado às 14h58
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Um é da ‘bancada da bala’ em Brasília, militar de carreira e representa o discurso conservador da direita. O outro, chefiou a CPI das Milícias na Alerj, que levo à prisão diversos policiais e mesmo políticos, e é tido como o representante da nova política no Estado. Neste domingo, o Rio de Janeiro mostrou nas urnas que está dividido ideologicamente. Jair Bolsonaro (PP - 464.572 votos) e Marcelo Freixo (Psol - 350.408 votos) foram, respectivamente, os deputados federal e estadual mais bem votados no território fluminense.

O Terra conversou com os dois políticos para saber as impressões deste resultado e se eles concordam com o fato de que o Rio de Janeiro hoje apresenta uma divisão ideológica capaz de fazer com que os dois deputados com mais votos, na comparação singela, esteja um para o outro como “água para o vinho”.

“Acho que foi tudo o que eu represento. O meu trabalho, ideologia e coerência”, justifica Bolsonaro, que vai para o seu sétimo mandato na Câmara dos Deputados, em Brasília – já são 24 anos como deputado federal. “Quem vota em mim, sabe quem eu sou. Quem não gosta de mim, não gosta. Não posso agradar a todos e nem quero. Minhas bandeiras continuarão sendo as mesmas”, explica ainda o político do PP, que em seu discurso “pela família” sempre deixa claro seu desgosto pelo casamento homossexual, cotas raciais e legalização da maconha.

“É uma outra política”, conta Freixo, vencedor de seu terceiro mandato na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro. “Não é um crescimento da noite para o dia. É uma reafirmação de uma política, de um mandato atuante, com identidade clara e evidente. Não ficamos em cima do muro nos temas mais polêmicos, tem um programa apresentado. É uma nova forma de fazer política”, reforçou ele, que desbancou ninguém menos do que Wagner Montes (PSD) da liderança.

As duas tribos antagônicas têm expressão exata na opinião dos dois candidatos reeleitos. “A aldeia do Marcelo não vai crescer mais do que isso. Estava vendo aqui na internet, e onde ele foi comemorar (a vitória)? Na Lapa. Aquele lugar em que você encontra bituca de maconha, camisinha no chão, tudo o que não presta você vê na manhã de domingo. Eles defendem casamento gay, depravação da família, tudo o que pode ser levado para o anarquismo ele defende”, dispara um Bolsonaro, como sempre, sem papas na língua.Freixo é mais polido para caracterizar Bolsonaro. “Um personagem com um olhar conservador. Isso tem que existir”, afirma. "Não acho que seja contraditório, é um amadurecimento com suas diferenças e com sua crise de representatividade. Nem todos que votaram no Bolsonaro defendem a ditadura”, opina o político do Psol. “Tem o cara ainda que votou nos dois. Na suposta ética, nenhum dos dois são ladrões, e isso tem um peso forte no eleitorado.”

Se a questão da honestidade reafirmada nas urnas é ponto de união entre os dois, Bolsonaro e Freixo gozam ainda de outra semelhança marcante dentro desta campanha eleitoral. Ambos não gastaram mais de R$ 200 mil na campanha – este o valor do candidato do PP, enquanto o do Psol gastou R$ 195 mil. Números irrisórios perto de candidatos da máquina pública eleitos esse ano.

“Dá R$ 0,55 por voto que eu tive”, contabiliza Freixo, que obteve doações pela internet (R$ 40 mil), e usou nas ruas militantes voluntários para ser o deputado estadual mais bem votado do País. “Fiz tudo com uma equipe de 20 amigos”, explica Bolsonaro. “Eu não tenho líder comunitário comigo. Não tenho um cargo indicado, sindicato, não tenho nada. Não tenho nicho nenhum. Nem em escola eu entrei, os diretores vetaram”.

O candidato reeleito do PP comemora ainda dois fatos: a reeleição do filho, Flávio Bolsonaro (PP) para mais um mandato na Alerj, e também de Eduardo Bolsonaro, filho eleito por SP que fará companhia ao pai em Brasília. “Passei 20% da minha campanha com ele em São Paulo”, conta Jair, orgulhoso.

Freixo, por sua vez, com sua expressiva votação, trouxe outros quatro candidatos do Psol (Eliomar Coelho, Flavio Serafini, Paulo Ramos e Dr. Julianelli) ampliando a base do partido na Alerj. “Saímos fortalecidos”, admite. “Sem o meu nome a gente teve 15% dos votos da capital”, afirma ainda sobre Tarcísio Motta, o candidato a governador do partido que teve mais votos que Anthony Garotinho, por exemplo, na cidade do Rio de Janeiro.

“Isso consolida uma vaga”, diz Freixo. Qual vaga? A de prefeito do Rio de Janeiro, que ele confirma ao Terra que irá disputar daqui a dois anos, a exemplo do que ocorreu quando foi derrotado por Eduardo Paes (PMDB) em 2012. “Vou para prefeito. Vou disputar. Vamos construir um projeto de cidade”.

E Jair Bolsonaro? A vaga, neste caso, é ainda mais ambiciosa. “Eu pretendo disputar a presidência da República (daqui quatro anos). Se o meu partido não sinalizar para isso, eu vejo para onde eu posso ir. A direita tem cara, tem voto, tem vergonha na cara”, afirma, lembrando que, por mais que as opiniões sejam diferentes, quando se trata de política, os objetivos nunca são lá tão distantes. 

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Fonte: Terra

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