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O coordenador do programa de governo do presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva (PT), Antônio Palocci Filho, prefeito licenciado de Ribeirão Preto (SP), chefiará a equipe de transição para o futuro governo. Lula fez o anúncio do nome hoje no Palácio do Planalto e ressaltou que a equipe de transição estará desvinculada da montagem do futuro Ministério.
Lula acabou frustrando a expectativa de que seriam anunciados os 51 nomes da transição, que devem ser divulgados daqui a dois dias. "Quisemos dar um caráter técnico à equipe, pois a cada dia que abro o jornal, leio um nome de um ministro do meu governo", ressaltou.
"A partir de agora, se vocês quiserem falar sobre transição, procurem o companheiro Palocci. Se quiserem falar sobre Congresso Nacional, procurem os companheiros Tião Viana e Palocci. Se quiserem falar dos ministérios, não falem comigo. Falarei com vocês", avisou.
O deputado federal João Paulo Cunha (SP) e o senador Tião Viana (AC) serão os interlocutores do partido no Congresso, conforme o anúncio. Os dois acompanharão as votações dos projetos de interesse do PT até o final do ano.
O presidente eleito chegou bem humorado e sorridente para a entrevista e brincando com os jornalistas. "Tudo bem? Podem começar a se acostumar", indicou sobre o seu estilo. O petista elogiou o processo de transição e disse que foi um momento singular na história do País.
"Tivemos presidentes que saíram pela porta dos fundos para não encontrar o sucessor e outros que anteciparam a posse para não ter de passar a faixa", lembrou. "O presidente Fernando Henrique praticamente colocou todo o governo à nossa disposição, numa prática democrática que muito agradou o nosso partido".
Na saída do Palácio do Planalto, onde se reuniu com FHC, o presidente eleito desceu do carro e cumprimentou a multidão de militantes que estava no local com as bandeiras vermelhas do partido.
A transição com Palocci
O comandante da transição pelo PT disse que sua equipe terá um perfil técnico-administrativo com quatro a cinco coordenadores e com integrantes de "alta capacidade executiva e técnica". Uma das primeiras metas será buscar informações sobre o orçamento de 2003. "Não estamos nos colocando como co-partícipes das questões do atual governo", preveniu o coordenador, para separar as ações da equipe das da administração atual.
O coordenador explicou que seu grupo será responsável pela transição político-administrativa para o próximo governo. Os nomes que integrarão o grupo representante de Lula na relação com o atual governo devem ser definidos nos próximos dois dias. Na tarde de hoje, está prevista a primeira reunião com o ministro-chefe da Casa Civil, Pedro Parente.
Palocci admitiu que a equipe poderá ter pessoas filiadas a outros partidos, não só dos quadros do PT. Também ressaltou que o grupo não deve ser visto como "um pré-Ministério". Garantiu que na equipe não haverá coordenadores da economia, ou seja, não se discutirá a transição no Banco Central e no Ministério da Fazenda. "Esses detalhes caberão a Lula", justificou.
Alvos da transição
Antônio Palocci adiantou que a equipe atuará num assunto crucial para o futuro governo: a votação do orçamento da União. Entre os alvos, estão a retirada da cumulatividade do PIS/Cofins e o aumento da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), que integram o projeto de minirreforma tributária.
Se houver um acordo de lideranças, o novo governo também espera aprovar parte da regulamentação do sistema financeiro ainda em 2002. Palocci afirmou que todas as decisões serão discutidas com o atual governo. "Queremos deixar bem claro que as decisões atuais são de responsabilidade do governo que termina dia 31 de dezembro", afirmou ao ser questionado sobre se a equipe de transição terá poder de decisão na revisão dos acordos do FMI, prevista para novembro.
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