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Presidência
Sexta, 27 de setembro de 2002, 11h27  Atualizada às 12h44
Ciro aprova acordo com FMI mas quer rever meta
 
Lidia Neves
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O candidato à Presidência da República Ciro Gomes entende que o novo empréstimo do Fundo Monetário Internacional (FMI) feito este ano era realmente necessário à economia brasileira, mas questiona os rumos que levaram o País à necessidade de pedir o empréstimo. Ciro disse que pretende rever a meta de superávit na próxima etapa do acordo, caso seja eleito.

Ciro chamou o receituário do FMI de "beijo da morte", porque não possibilitaria que o Brasil cresça, segundo ele. Para o candidato, a carga tributária brasileira é muito grande e mal-distribuída, privilegiando o setor financeiro e onerando as classes média e baixa - "que não têm nenhum retorno, porque o pobre tem serviços públicos muito ruins e a classe média paga os impostos e paga de novo pelos serviços privados". As despesas do Orçamento da União também são muito altas e mal-distribuídas, segundo o candidato, e a diferença entre os dois fatores dá um superávit menor que a meta de 3,75%.

O maior medo que Ciro apresentou na sabatina do O Estado de S. Paulo é de disparar a inflação e o câmbio explodir, caso estas metas não sejam revistas. Para garantir que não se aumente muito a inflação, o candidato afirmou que terá uma "taxa de desconforto", que apresentará um teto de inflação e um teto de desemprego para o governo ter como parâmetro.

O candidato disse, ainda, que o Brasil ainda não está preparado para se inserir na economia global e precisa mudar sua relação internacional. Para Ciro, o Brasil tem que dar condições de competitividade aos seus produtos - investindo em tecnologia e dando condições de os preços baixarem - antes de ingressar em associações como a Alca. Ciro considera o ingresso na Alca na atual situação "uma irresponsabilidade criminosa".

Outra medida seria baixar as taxas de juros e criticou os meios de comunicação por não alardearem sobre o assunto. "Qual é o efeito de taxa de juros para cima, pelo amor de Deus, imprensa administrada pelo governo?"

O candidato disse que, caso seja eleito, todos os negócios no País serão fechados na moeda brasileira. Ele chamou de "crime dos crimes" a indexação de 34% da dívida interna à flutuação cambial.

Ciro propõe uma reforma tributária e previdenciária para aquecer a economia. Disse que é preciso aumentar o salário mínimo, mas não citou valores, e reverter a informalidade da economia para aumentar a arrecadação.
 

Redação Terra