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O resultado do primeiro turno motivou uma espécie de enfrentamento antecipado de onde nascem já os dois grandes vetores que vão decidir em 2006 a eleição para presidente da República. O Partido dos Trabalhadores (PT) como líder do bloco de governo e o Partido da Social Democracia Brasileira (PSDB) como líder do bloco de oposição.
A afirmação é do cientista político da Universidade de Brasília (UnB) Hermes Zanete, em entrevista à Rádio Nacional AM. Ele salienta que essas duas grandes forças políticas que emergiram das urnas tiraram o caráter municipalizado dessa eleição e deram a ela um perfil federalizado, onde toda a atenção se volta para os desdobramentos políticos nos próximos dois anos.
Na opinião do cientista, hoje, no Brasil, desde vereador a presidente da República, não existe nenhum cargo político que não esteja sendo preenchido pelo voto popular e, nesse sentido, a eleição ganha uma motivação maior, além de caracterizar uma evolução da democracia. "Esta eleição trouxe, inclusive, o presidente da República Luiz Inácio Lula da Silva para a campanha, onde ele também observou que esse quadro está se desenhando dessa forma", argumenta.
Zanete destaca que o discurso utilizado pelos candidatos nessa eleição é o da construção de mais igualdade, depois da garantia da estabilidade econômica e da conqusita plena da democracia. Para ele, esse período de liberdade permite a construção da democracia formal. "Mas, a democracia substancial, aquela democracia que faz com que o povo enxergue que ele vai encurtar distâncias entre uma pequena minoria de ricos e uma imensa maioria de pobres, essa realidade o povo ainda não sentiu".
O professor cita o exemplo da eleição do presidente Lula, que vem das camadas populares exploradas, como inspiradora para que o povo participe ainda mais desse processo eleitoral. "Todos esses ingredientes constituem essa eleição de 2004 em uma eleição especial".
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