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Presidência
Segunda, 5 de agosto de 2002, 00h30 
Ciro e Serra centralizam discussão no 1º debate
 
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O primeiro debate entre os quatro principais nomes da corrida sucessória de 2002 foi marcado na noite de hoje pelo confronto entre José Serra (PSDB) e Ciro Gomes (PPS). Serra, candidato governista e terceiro lugar nas pesquisas de intenção de voto, também foi o alvo preferencial dos adversários. Por duas horas e meia, os presidenciáveis foram submetidos a perguntas entre si e de jornalistas.

Anthony Garotinho (PSB) desferiu críticas a todos os adversários e Luiz Inácio Lula da Silva (PT) saiu reclamando que faltou debater propostas para a área de segurança e moradia. O único incidente violento ocorreu fora do estúdio da TV Bandeirantes, palco do debate em São Paulo. O militante tucano Geraldo dos Reis e mais um policial militar saíram feridos num incidente envolvendo também apoiadores de Ciro, ligados à Força Sindical.

Reis levou uma pedrada na cabeça e deixou o palco do debate sangrando. Ele foi levado ao hospital. A assessoria do senador tucano informou que o ferimento não é grave e que o militante passa bem.

O tucano foi cobrado pelos adversários principalmente pela atual política econômica e sua herança de desemprego e a dívida pública. Serra frisou, em duas oportunidades, que é apoiado pelo presidente Fernando Henrique Cardoso, mas que fará o "governo de José Serra", caso seja eleito. O ex-governador do Rio alfinetou e sugeriu que o senador não estaria querendo assumir a ligação com FHC.

O atrito flagrante entre Ciro e o candidato governista rendeu os dois únicos espaços de direito de resposta, um para cadacandidato. O principal confronto entre os dois se deu quando o tucano acusou Ciro de mentir sobre indicadores de sua rápida passagem no Ministério da Fazenda, em 1994, no governo de Itamar Franco, na estréia do Plano Real. Serra disse que o adversário havia garantido que o salário mínimo em setembro de 1994 era de US$ 100. Ciro tem como plataforma da campanha atual fazer o piso chegar a este valor.

Garotinho manteve a postura mais agressiva e fez cobranças de Ciro e de Lula sobre seu leque de alianças, além de vangloriar por não ter feito acordos com alas de todos os campos políticos. "Minha candidatura é pura", ilustrou o ex-governador do Rio. O petista não perdeu tempo e voltou ao assunto bolocos depois: "É tão pura que vai virar vinho e tem candidato do PSB ao governo abandonando a disputa em vários Estados", rebateu Lula. No final, Garotinho se disse alvo de "uma campanha sórdida que prega a sua renúncia há 60 dias".

Na boca dos candidatos, as promessas de equilibrar as contas públicas, criar estratégias de arrecadar mais sem onerar a produção e incentivar setores mais geradores de vagas foram as mais repetidas. Empatado hoje com Ciro Gomes nas pesquisas de intenção de voto, depois de liderar com até 20 pontos de vantagem, Lula disse que seguirá um eventual novo acordo com o Fundo Monetário Internacional (FMI), mas que o acerto tem de ser para longo prazo.

Cada presidenciável teve 17 inserções durante os seis blocos do debate. A mediadora Márcia Peltier teve de pedir em vários momentos para a platéia de mais de 300 pessoas, entre assessores, políticos e jornalistas que disputaram cada palco do estúdio, que evitasse os comentários e manifestações de apoio ou crítica. Vaias e risos emendavam respostas dos protagonistas da cena.

O candidato a presidente Rui Pimenta (PCO) tentou impedir o debate. Uma liminar impetrada no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) foi recusada neste domingo. Pimenta queria participar do debate da TV Bandeirantes por considerá-lo decisivo na disputa sucessória. A rede de televisão volta a promover um encontro de candidatos depois do primeiro turno com os eventuais classificados para a etapa final das eleições.
 

Redação Terra