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O Conselho Superior da Agricultura e Pecuária do Brasil (Brasil Rural) pretende entregar ao presidente eleito, Luiz Inácio Lula da Silva, documento contendo um diagnóstico sobre a situação do setor, no qual haverá uma análise dos problemas dos produtores e sugestão de medidas para solucioná-los.
A idéia de levar as reinvindicações ao presidente eleito foi aprovada hoje em reunião da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), uma das entidades representativas do setor que compõem o Brasil Rural. A intenção dos ruralistas é entregar o texto à equipe de Lula até 15 de novembro.
Segundo o presidente da CNA, Antônio Ernesto de Salvo, o setor cobrará da próxima administração que se mantenha a política de juros fixos para os produtores, adotada no governo atual. "O agricultor não tolera letras", disse De Salvo, mencionando os Bônus do Tesouro Nacional (BTNs) como exemplo de indexador indesejável.
O ruralista afirmou ainda que o setor continua preocupado com a possibilidade de as exportações agropecuárias serem taxadas, uma idéia que, segundo ele, Lula teria deixado transparecer na campanha, quando disse que a Lei Kandir precisa ser revista - essa lei libera a exportação de produtos primários e semi-industrializados de pagar ICMS.
De Salvo disse que essa preocupação do setor será renovada no documento a ser encaminhado ao presidente eleito. Segundo ele, a agropecuária também deseja que o futuro governo pratique uma "política de desmonte de acordos que garantiram mercado cativo" no Brasil e vai fazer esse pedido no documento.
Um exemplo de acordo considerado ruim ao Brasil seria o que assegura a compra anual de 5 milhões de toneladas de trigo argentino, assinado no governo de José Sarney. Para De Salvo, esse acordo impede que o Brasil seja auto-suficiente em trigo. "Deveríamos estimular a produção interna", declarou. O Brasil consome 9 milhões de toneladas por ano.
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