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O presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva vai chegar ao Palácio do Planalto sob o olhar atento da população de países da América Latina. Existe a expectativa de que o futuro governo estreite as relações entre o Brasil e países vizinhos. A eleição do líder da esquerda brasileira foi comentada, em caráter extra-oficial, por alguns dos participantes do I Workshop Internacional de Cooperação Sul-Sul, realizada há dois dias no Itamaraty.
"As experiências sem êxito de políticos latino-americanos nos últimos anos, na Argentina, Peru, Venezuela, Equador, precipitam Lula como uma nova alternativa frente a todas as tentativas falidas, modelos tipo receita, que não funcionaram em nossos países. Para o peruano comum, Lula significa uma política com rosto social. E existe a expectativa de uma aproximação maior entre nossos países", diz Marcela Aliaga, assessora do Ministério da Mulher e Desenvolvimento Social do Peru.
Nos discursos de campanha, Lula criou a expectativa de que o Mercosul seja fortalecido no governo do PT, inclusive para melhorar a posição do País frente às pressões americanas para adesão à Alca. A retórica reverberou pelo continente. Manuelita Escobar, oficial do Fundo das Nações Unidas para População (UNFPA) no Paraguai, acredita que a sustentação social de Lula poderá beneficiar a América Latina.
"O desemprego, a falta de acesso à saúde são temas que podemos trabalhar em uma perspectiva regional. Pessoalmente, estou muito contente com a vitória de Lula. Por uma questão de sensibilidade, humanismo, maior proximidade com a questão social", diz Genaro Pappalardo, diretor do departamento de Cooperação Internacional do Ministério das Relações Exteriores do Paraguai.
Não faltam problemas comuns à região, que podem direcionar agendas articuladas. A iniciativa para troca de experiências foi promovida pela UNFPA e pela Agência Brasileira de Cooperação, do Ministério das Relações Exteriores. Do evento resultarão propostas de acordos internacionais a serem firmados por governos e escritórios do UNFPA nos onze países participantes. Em comum, deficiências na garantia do direito à saúde reprodutiva da mulher, no tratamento de infectados pelo vírus HIV e na administração das tendências migratórias, dentro e fora de suas fronteiras.
A proposta do encontro é, justamente, conhecer soluções e mecanismos que já estão sendo empregados por alguns países.
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