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O PMDB está disposto a colaborar com o governo do presidente eleito, Luiz Inácio Lula da Silva. O senador Renan Calheiros (AL), líder do partido no Senado, afirmou hoje que o PMDB está aguardando um convite do PT para conversar sobre apoios e a base de sustentação de seu governo.
Ele sinalizou que, dependendo da proposta que o PT fizer, o PMDB pode efetivamente participar de seu governo. De qualquer forma, disse, a idéia do partido - que junto com o PSDB constituiu a aliança que lançou o candidato derrotado José Serra à Presidência - é contribuir para garantir a governabilidade, sem pleitear cargos na administração Lula.
"O PMDB quer ajudar na governabilidade, na eficácia do governo", disse Calheiros.
Segundo o senador, a executiva do PMDB e seus governadores eleitos vão se reunir em Brasília no início da próxima semana para discutir os rumos do partido.
Calheiros disse que o PMDB quer colaborar na aprovação de projetos como o Orçamento de 2003, a regulamentação do artigo 192, que trata do sistema financeiro e pode levar à autonomia operacional do Banco Central, e "encaminhar uma proposta de salário mínimo compatível" - ele não detalhou qual seria essa proposta.
A proposta encaminhada ao Congresso pelo governo Fernando Henrique Cardoso, indica que o salário mínimo deverá subir dos atuais R$ 200 para R$ 211 reais, um reajuste de 5%.
O senador indicou ainda que é prematuro discutir as novas presidências do Senado e da Câmara este ano, mas ressaltou que o PMDB pretende batalhar para ocupar os dois cargos por meio de uma negociação partidária.
Perguntado sobre as especulações em torno das aspirações do ex-presidente e senador José Sarney (PMDB-AP), que apoiou Lula na eleição, de ocupar a presidência do Senado no ano que vem, Calheiros alertou que qualquer negociação por cima dos partidos causará um "sério precedente que poderá prejudicar a governabilidade".
"Qualquer negociação para a presidência da Câmara e do Senado terá que acontecer de maneira institucional. Não aceitamos nenhuma posição acima do partido," disse Calheiros, mostrando-se ele mesmo disposto a disputar o cargo.
Já o deputado Arthur Virgílio (PSDB-AM), líder do governo no Congresso e parte da equipe de transição do lado do governo Fernando Henrique, fez um pronunciamento na Câmara dos Deputados para cobrar clareza do PT sobre as suas propostas de governo para os próximos quatro anos e seus compromissos com a estabilidade econômica e a disciplina fiscal.
No pronunciamento, Virgílio pediu esclarecimentos ao PT sobre sua proposta para o salário mínimo, suas relações com o Fundo Monetário Internacional (FMI) e o controle da inflação.
O deputado cobrou que o PT seja austero e pague o preço da impopularidade se for necessário. Ele disse ainda que o PSDB não "fará propostas para desgovernar" o país.
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