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Além de ter que "desinflar" as expectativas geradas em relação a seu governo durante a campanha e conter os radicais de seu partido, o presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva (PT) terá de enfrentar um cenário de orçamento retraído, pressões inflacionárias, pouco crédito externo e incertezas no mercado.
Essa é a avaliação do ex-ministro da Fazenda Maílson da Nóbrega, que aproveitou o 1º Fórum Nacional de Seguro de Vida e Previdência Privada, realizado pela Fenaseg, em São Paulo, para fazer críticas à postura adotada por Lula em sua campanha.
"Esse quadro no Brasil e no mundo, que não será diferente (do atual) nos próximos 12 meses, não é um quadro para dizer que se vai chegar e resolver tudo", afirmou. "Não estou sendo pessimista, estou sendo realista", completou o ex-ministro.
Segundo ele, apesar de se considerar o "homem da produção", Lula não poderá adotar medidas muito drásticas, como reduzir a taxa básica de juros, ou descumprir metas fiscais de modo a romper com o acordo com o Fundo Monetário Internacional (FMI).
Mesmo fazendo duras críticas aos principais projetos idealizados pelo PT a serem implementados já no primeiro ano de governo, e aos principais assessores do presidente eleito, Maílson admitiu acreditar que Lula terá habilidade para cumprir seus compromissos com metas de inflação e de superávit primário, além do câmbio flutuante. Para isso, no entanto, o ex-ministro avaliou que "o PT terá de brigar com o próprio PT".
O maior desafio do governo de Lula, segundo ele, será conciliar as políticas mais conservadoras que vem sendo sinalizadas, com as pressões de governo. "A história mostra que isso exige convicção, porque os custos são conhecidos (referindo-se à queda de popularidade) e os benefícios, incertos", disse.
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