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Minas Gerais
Terça, 29 de outubro de 2002, 13h57 
Eleiçao de Lula influencia secretariado de Aécio em MG
 
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A composição do secretariado do governador eleito de Minas Gerais, Aécio Neves (PSDB), deverá refletir a nova correlação de forças que surge no País a partir da eleição de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) para presidente. “Eu acho que ele terá de formar um "ministério" em Minas em função das dificuldades econômicas", afirmou ontem Sílvio Mitre, ex-coordenador da campanha do senador José Serra.

Mitre opinou que Aécio precisará criar bons canais de interlocução para conseguir administrar o Estado a partir de 2003. Um ação efetiva esbarra no peso excessivo do desembolso da receita com o pagamento da dívida. Para entrar em vigor em 2003, a redução dos limites de comprometimento com o pagamento da dívida teria que ser acertada pelo atual governo.

De imediato, Aécio espera um alívio pontual nesta quinta-feira com a previsão mantida, segundo Mitre, de liberação de R$ 800 milhões, que representam parte dos recursos que o Estado aplicou na recuperação de estradas federais.

Este dinheiro será suficiente apenas para pagar a folha do 13º salário do funcionalismo e cumprir a determinação constitucional de investimento na saúde, através de convênios em valor que estaria em R$ 300 milhões. Faltaria ainda dinheiro para pagar dívida com empreiteiros, calculada em R$ 60 milhões, entre outros.

Apesar de acreditar que, se o senador José Serra (PSDB) tivesse vencido a eleição, Aécio teria maiores facilidades neste processo, Sílvio Mitre não vê dificuldades na convivência do governador eleito com Lula. Em primeiro lugar, pelo fato de ter se consolidado como liderança do PSDB com a eleição no primeiro turno e respaldado pela eleição de mais seis governadores tucanos em todo o país, mas também por sempre ter mantido “uma boa relação pessoal" com Lula.

A indicação do novo secretariado só será feita mesmo em dezembro. Aécio tem dito que não tem compromisso formal com ninguém e que também não aceitará pressões ou patrulhamento. Até lá, o governador eleito aguarda os desdobramentos do novo quadro político para sintonizar suas ações com esta nova realidade.

Neste intervalo, espera a conclusão da radiografia dos projetos desenvolvidos e em andamento feita pela equipe de transição para definir prioridades para seu Governo.

Prudência

Ao que tudo indica, nenhum representante dos partidos que deram sustentação à candidatura do governador eleito pretende “queimar o filme" com o chefe do Executivo mineiro antecipando conversas em torno da composição do secretariado. “O momento exige prudência", resumiu o deputado Sebastião Costa (PFL), que não conseguiu votos suficientes para manter uma cadeira na Assembléia Legislativa.

Na semana passada, mesmo depois de declarar que a prerrogativa da indicação de nomes para o secretariado será “toda de Aécio Neves", o presidente regional da legenda e vice-governador eleito, Clésio Andrade, afirmou que o PFL vai reivindicar cargos na nova administração.

Nos bastidores da política a informação é de que os pefelistas querem ocupar o Banco de Desenvolvimento de Minaas Gerais (BDMG) ou a Companhia Mineradora de Minas (Comig). “Não sei nada sobre isso", desconversou Costa, acrescentando que é preciso saber o momento certo de discutir determinados assuntos".

Sebastião Costa é cotado para assumir um cargo no Governo Aécio Neves. “Estou em compasso de espera", admite o deputado. Coordenador da campanha do governador eleito e presidente do PSDB mineiro, o deputado federal Danilo de Castro também está “no aguardo dos acontecimentos".

A presença de Castro na nova administração estadual é dada como certa não somente entre os tucanos, mas também entre representantes de outras legendas que apoiaram Aécio. “Não discutimos ainda sobre esse assunto", disse o deputado, frisando que o governador eleito só anunciará uma posição sobre a equipe de Governo em dezembro.

Outro nome certo no Palácio da Liberdade é o do coordenador da equipe de transição do Governo Aécio Neves, Antônio Augusto Anastasia. Quando questionado sobre o assunto porém, ele não confirma nem desmente a hipótese. “Essa decisão cabe ao governador eleito".

Ainda nos bastidores da política mineira, fala-se que Aécio pretende nomear técnicos para áreas estratégicas como Planejamento e Fazenda e ainda sobrariam cerca de dez pastas para as composições políticas.
 

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