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Minas Gerais
Terça, 29 de outubro de 2002, 13h23 
Lula terá apoio de maioria na bancada federal de Minas
 
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O presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva (PT) deverá contar com o apoio de mais da metade dos deputados federais eleitos e reeleitos por Minas Gerais. Dos 53 deputados que se elegeram para a próxima legislatura, pelo menos 28 deles devem apoiar Lul, de acordo com levantamento realizado pelo jornal Hoje em Dia. A composição pró-governo deverá ter 11 deputados eleitos pelo PT, quatro do PL, três do PMDB, três do PPS, dois do PDT, dois do PTB, um do PV, um do PSB e um do PSL. Deputados do PSDB (oito), PFL (sete), PPB (quatro) e PST (um) devem cerrar as fileiras da oposição.

Outros três deputados do PMDB manifestaram apoio ao candidato José Serra nas eleições presidenciais e, se seguirem a coerência, devem permanecer na oposição ou, pelo menos, tomar uma posição mais independente. Ainda surpreendidos com a expressiva votação de Lula no segundo turno, os deputados que anteciparam oposição a Lula ressaltaram terem compreendido a decisão do povo e buscarão cobrar do Governo a realização do que foi prometido durante a campanha petista.

“A escolha pelo Lula é uma atitude que tem que ser levada em conta por todos nós. Minha posição atual é de independência. Nós vamos ajudar no que for possível para que o governo cumpra pelo menos 10% do que prometeu. Vamos apoiar todas as medidas que que buscarem corrigir as desigualdades sociais", garantiu o deputado eleito José Rafael Guerra (PSDB).

"Minha expectativa é de que o povo não sofra uma decepção, pois vejo que será muito difícil de cumprir uma série de promessas de campanha, como o aumento do salário mínimo, cujo anseio é de que seu valor seja igual a 100 dólares", observa o deputado.

Aracely de Paula, reeleito pelo PFL, afirma que o partido jamais assumirá uma oposição sistemática. “Devemos dar condições do governo para que possa acertar. Vamos cobrar e vigiar para que não fuja das linhas prometidas. Como a grande maioria da oposição atual conhece o que é ser Governo, não irá exigir o impossível no primeiro ano de Governo. Não seria patriótico", comentou.

Carlos William (PST) adiantou que está captaneando a formação de um bloco de oposição, buscando a adesão de deputados eleitos por outros partidos, para que o PST possa ter cerca de 20 parlamentares. Virgílio Guimarães (PT) destacou que há condições para que a bancada mineira tenha um funcionamento coletivo, em favor dos interesses do Estado. “Não vejo em nenhum partido a postura de boicotar o Lula.

A bancada terá boa vontade com o novo Governo", considerou. Único deputado eleito pelo PSB, Isaías Silvestre prefere aguardar uma definição da executiva nacional do partido para saber qual tipo de apoio será dado. Romeu Queiroz (PTB) não definiu a sua posição, afirmando que seguirá a orientação do partido. Mas, na noite de ontem, o presidente do PTB, Roberto Jefferson, defendeu que é preciso apostar na proposta vencedora de Lula.

Leonardo Mattos (PV) e Sérgio Miranda (PCdoB) garantem que o apoio não será irrestrito. “Há questões que estão acima de mim, pois defendo os deficientes e a questão ambiental, que me levaram a conquistar este mandado", observa Mattos.
 

Hoje em Dia