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Presidência
Segunda, 28 de outubro de 2002, 04h05  Atualizada às 10h54
Leia a íntegra do discurso de Lula na Avenida Paulista
 
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Leia a íntegra do discurso de Lula na Avenida Paulista:

"Meus queridos e queridas companheiros, vocês devem saber como que está minha cabeça e como é que está o meu coração. Eu queria dizer para vocês que o que nós fizemos até agora foi mais fácil do que o que nós temos para fazer daqui para frente.

Olha, eu queria dizer algumas palavras para vocês. Primeiro, eu queria pedir uma salva de palmas, uma salva de palmas para todos os companheiros que não conseguiram se eleger nesta campanha, mas que têm a mesma importância daqueles que se elegeram. É porque, normalmente, a gente só lembra de quem ganha e eu acho que é importante lembrar que nós somos o resultado da somatória de todos. Mesmo aquele que teve um pouquinho de votos merece de nós a mesma consideração e o mesmo respeito porque sem eles outros não seriam eleitos neste País.

Gostaria de dizer para vocês que foi uma jornada muito dura e que eu não chegaria aqui se não fosse a garra de vocês, a competência de vocês e a credibilidade que vocês depositaram em mim. Eu, hoje, estava lembrando quando fui votar, enquanto os companheiros e companheiras que começaram junto conosco esta luta e que já não estão mais no nosso meio, eu lembrava do meu querido companheiro Sérgio Buarque de Holanda, pai do Chico Buarque, fundador do nosso partido.

Eu lembrava da figura extraordinária de Mário Pedrosa, que também começou junto conosco esta luta. Eu lembrava da extraordinária figura do nosso querido companheiro Henfil. Eu lembrava da extraordinária figura do mais importante educador deste País, o nosso querido Paulo Freire. Eu lembrava do querido Betinho. Eu lembrava do Santo Dias. Eu lembrava do meu companheiro Júlio de Grammond, assessor de imprensa que morreu depois da campanha de 98. Da Bete, minha secretária... Minha cabeça foi virando um parafuso de tantas pessoas que eu lembrei, que iam ficando para trás e que não chegaram até onde nós chegamos.

Eu lembro do companheiro Chico Mendes. Eu lembro do companheiro que desde 89 esteve comigo, o nosso querido João Amazonas, presidente do PCdoB. Aí eu lembro do nosso querido e saudoso Carlito Maia. Nestes últimos dois dias, nós perdemos dois companheiros: um foi comprar material na lojinha do PT pra fazer boca-de-urna e teve um enfarto fulminante dentro do carro levando material. O outro, o companheiro Cabeção, metalúrgico da Ford, desempregado, tava fazendo a passeata do Genoino quando passou mal e morreu.

Agora, eu lembro da minha mãe que tinha medo que eu entrasse no Sindicato com medo de eu ser preso. Ela morreu e eu estava preso e ela não sabia que eu estava preso. Essas pessoas que morreram e que não conseguiram chegar junto conosco até agora, pode ter certeza, que estão lá em cima olhando pra nós, rindo de alegria, porque nós conseguimos construir os sonhos de algumas gerações. Mas, eu não poderia deixar de agradecer aos companheiros Celso Daniel e Toninho de Campinas, que morreram mais recentemente.

Agora, eu não poderia deixar de agradecer o inestimável serviço que esse companheiro prestou nesta campanha. Que a sua esposa, que a minha esposa prestaram nesta campanha. O trabalho fantástico do companheiro Palocci como coordenador de programa de governo, o nosso querido prefeito de Ribeirão Preto, do companheiro Zé Dirceu e da executiva do meu partido que desta vez se preparou para ganhar as eleições. Quero agradecer à direção do PCdoB, quero agradecer à direção do PL, do PMN, do PCB. Quero agradecer os apoios dos companheiros do PMDB, representado uma grande parte dos companheiros do MR8.

Quero agradecer o Movimento Sindical Brasileiro, que se engajou nesta campanha. Quero agradecer aos estudantes brasileiros. Quero agradecer às mulheres e aos homens deste País que fizeram com que a esperança derrotasse o medo nesta campanha de 2002. Eu quero aproveitar para agradecer os companheiros que disputaram o segundo turno, o primeiro turno e que não conseguiram chegar lá e que me apoiaram no segundo turno. Os companheiros do PPS, os companheiros do PSD e outros companheiros que pelo Brasil afora assumiram a nossa campanha.

Eu estava dizendo a vocês que até agora as coisas foram fáceis. O difícil vai começar agora. Eu sempre comparo a política com o casamento. Quando a gente está apaixonado, que a gente quer casar, a gente senta com a nossa namorada e fica alimentando os nossos sonhos, discutindo o quê que a gente pode fazer. E a gente casa. E nem sempre o que a gente quis fazer a gente consegue fazer com a rapidez que a gente imaginava fazer.

Vocês sabem que o nosso País vive uma crise, mas sabem também que a nossa vitória é a concretização da esperança que nós acumulamos durante muitos e muitos anos neste País. Eu quero que vocês saibam que Zé Alencar e eu, e o governo que nós vamos montar, nós vamos trabalhar 24 horas por dia, de domingo a domingo para que a gente possa cumprir cada coisa que nós prometemos nesta campanha.

Qualquer governante deste País pode ganhar as eleições e não cumprir aquilo que prometeu porque é mais um e o povo já sabe. Nós não podemos. Primeiro, porque a expectativa que nós geramos na sociedade é muito grande. Segundo, porque vocês carregam na consciência de vocês a idéia de que somente nós poderemos fazer pelo Brasil o que o Brasil precisa que seja feito. Somente nós seremos capazes de garantir uma efetiva educação de qualidade do ensino fundamental à universidade brasileira. Somente nós iremos fazer a reforma agrária tão sonhada por milhões e milhões de brasileiros. Somente nós iremos garantir a saúde como um direito de todos e não como privilégio de quem pode pagar um plano médico.

Nós precisamos garantir que cada homem ou que cada mulher, por mais pobre que seja, tenha o direito de tomar café de manhã, almoçar e jantar todo santo dia. Nós temos que garantir às pessoas o direito de morar. Nós temos que garantir às pessoas o direito de conquistar a sua cidadania. Eu quero olhar na cara de cada um de vocês e vocês olharem na minha cara e dizer pra todos nós "nós vencemos as eleições, agora, nós vamos governar não para aqueles que votaram apenas. Nós temos que governar para 175 milhões de brasileiros".

E eu quero que vocês saibam que minha mãe dizia... minha mãe nasceu e morreu analfabeta e a minha mãe dizia "meu filho, a única coisa que o homem não pode perder é o direito de andar de cabeça erguida e olhar nos olhos das pessoas com quem está conversando". Eu quero dizer pra vocês, eu jamais, jamais, deixarei de andar de cabeça erguida diante do povo brasileiro... Porque irei dormir todo santo dia com a consciência tranqüila de que cumpri o meu dever. Vamos andar por este País afora, vamos visitar cada região deste País e vamos provar. Já vencemos todos os preconceitos que tinham contra nós. Primeiro, era o medo da bandeira vermelha, depois, era o medo da barba, depois, era o medo de uma série de coisas. E agora, a maioria do povo me deu a oportunidade de provar que um torneiro mecânico junto com um empresário vão poder fazer por este País aquilo que durante anos a elite brasileira não conseguiu construir.

Eu quero, meus amigos e minhas amigas, dizer para vocês que não trairei um só momento a confiança que vocês confiaram no PT e em mim. Aconteça o que acontecer, vocês serão a minha referência. Se um dia eu cometer um erro, pode ficar certo que eu não terei nenhuma dúvida de ir pra televisão pedir desculpas ao meu povo pelo o que eu errei. Mas, quero dizer para vocês que vou fazer o esforço maior que um ser humano pode fazer para que a gente possa fazer o nosso povo voltar a sorrir. Devolver a alegria, devolver a esperança, fazer a economia voltar a crescer, gerar a riqueza para gerar os empregos que tanta gente precisa neste País.

Eu quero terminar, porque, aos 57 anos, o coração vai ficando mais cansado. E eu quero dizer pra vocês muito obrigado, muito obrigado, muito obrigado por vocês existirem porque sem vocês eu não seria ninguém e não não teria chegado aonde cheguei. Muito obrigado por depositarem a confiança em nós. Muito obrigado por terem votado em nós e tenha a certeza que nós continuaremos sendo as mesmas pessoas que nós fomos até agora. Cada vez que eu encontrar com um de vocês, eu quero ter o prazer de olhar no olho de vocês e dizer pra vocês "estamos fazendo aquilo que vocês esperavam que nós fizéssemos".

Que Deus abençoe cada um de nós, que Deus abençoe cada um de vocês e que Deus nos dê saúde e coragem pra gente mudar a história do Brasil e fazer este País ser mais feliz e o nosso povo viver com muito mais dignidade.

Eu quero terminar falando pro Genoino. Eu já disputei muitas eleições, mas nunca disputei uma tendo um companheiro candidato majoritário com uma alegria que esse homem tinha 24 horas por dia. Eu falei pro Genoino: "Genoino, você não perdeu as eleições. Você saiu desta eleição altamente vitorioso. Porque você provou, Genoino, você provou que o PT não é mais um partido de 10% de voto, você elevou nosso partido a 41% dos votos neste Estado de São Paulo. E eu não tenho dúvida nenhuma, Genoino, que você, nesta disputa, só engrandeceu o povo de São Paulo. Você pode estar certo, meu caro, que você ainda vai dar muita alegria as esses milhões e milhões de brasileiros que de São Paulo depositaram... Você é novo ainda, você é novo... Você não tem nem 50 anos como eu tenho. Eu já perdi três vezes, não baixei a cabeça e ganhei. Você não tem que baixar a cabeça e pode ganhar outras eleições neste País".

Gente, muito obrigado. Boa festa para vocês e até amanhã porque amanhã é dia de começar a trabalhar. Um abraço."
 

Redação Terra