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Sem esconder o desânimo e a decepção com o acerto de contas que o governo de Minas tenta junto à União, o governador Itamar Franco (sem partido) já reconheceu que os recursos que ele esperava receber para pagar o 13º salário dos servidores dificilmente chegarão ao Estado antes da conclusão de seu mandato. Como ainda não existe outra saída para o pagamento do 13º dos servidores, o mais provável é que ele fique para o governador eleito Aécio Neves (PSDB).
Ao ser questionado se ainda tinha esperanças de que o encontro de contas fosse realizado até dezembro, o governador falou ironicamente: "Aos poucos ela (esperança) vai se esvaindo do coração da gente".
Minas Gerais reivindica, junto à União, liberação de parte dos créditos superiores a R$ 2 bilhões referentes a investimentos feitos pelo Estado na recuperação de rodovias federais.
A desilusão com o encontro de contas seria também o motivo de o governador não ter comparecido ao almoço que teria com o presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB) no Palácio da Alvorada, em Brasília, no último dia 16. "Seria a parte social e não haveria a parte principal", disse ontem Itamar sobre o fato de não ter ido ao almoço, já que não acredita que os recursos serão liberados até o final deste ano.
Quando esteve em Belo Horizonte, no dia 30 de setembro, Fernando Henrique se reuniu com Itamar e anunciou a criação, através de decreto, de um Grupo de Trabalho para analisar os 37 convênios firmados entre o Departamento Estadual de Rodagem de Minas (DER/MG) e o extinto Departamento Nacional de Estradas de Rodagem (DNER) entre 1987 e 2000. O Grupo de Trabalho, então, iniciou os trabalhos de análise.
Apesar de não acreditar mais na vinda do dinheiro federal, o governador prometeu manter seu empenho para pagar o 13º salário dos servidores até o final de dezembro. "Eu podia cruzar os braços e fazer como o outro, que pagou o que não devia e deixou o funcionalismo sem o 13º. Mas eu estou fazendo força para ele (o funcionalismo)", disse Itamar.
O governador eleito Aécio Neves (PSDB) tem sido o principal interlocutor na negociação entre o governo de Minas e a União para que o encontro de contas aconteça ainda em 2002 e para que os recursos sejam liberados de imediato. Aécio contou com o apoio de Itamar Franco em sua candidatura vitoriosa ao Palácio da Liberdade.
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