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O ex-governador do Rio, Anthony Garotinho (PSB), afirmou hoje que pretende fazer uma campanha para Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no Rio separada dos militantes do PT no Estado. "O PSB vai montar um palanque para o Lula, sem a turma do PT. A governadora Benedita da Silva (PT) já posicionou como coordenadora de campanha no Rio, e nós não vamos nos submeter ao comando dela", justificou.
Garotinho deixou claro que não terá uma posição neutra, nem apoiará o candidato do PSDB, José Serra, no segundo turno. Após se reunir com o presidente nacional do PSB, Miguel Arraes, salientou que o encontro que teve ontem com o ex-ministro do Trabalho, Francisco Dornelles, não teve nenhuma intenção de pedido de apoio ao tucano no segundo turno.
"O PT fez uma campanha suja no Rio e nós não queremos participar junto com eles", afirmou Garotinho. "Não queremos misturar as coisas". O ex-governador do Rio acrescentou que não está pleiteando nenhum cargo num possível governo de Lula.
Perguntado se acreditava que os votos dados a ele e ao candidato da Frente Trabalhista, Ciro Gomes, seriam revertidos para Lula, Garotinho afirmou que tudo depende do desempenho do candidato do PT na campanha para o segundo turno. "Voto não se transfere", declarou.
Quanto aos evangélicos, Garotinho deu a entender que vão pedir votos para o candidato petista, enfatizando que é a sua posição no segundo turno. "Esta é a minha posição. Cada um deve seguir o caminho que achar melhor".
Programa de governo do PT
Segundo Garotinho, os pontos do documento que Arraes entregará à direção do PT, hoje à tarde em Brasília, "não são condicionantes para um apoio a Lula no segundo turno, mas reafirmações partidárias e questões que eu gostaria que o PT esclarecesse".
O candidato derrotado do PSB expôs sua posição em relação a alguns dos cinco tópicos que compõem o documento do PSB. O ex-governador considera inadmissível a utilização da base de Alcântara, no Maranhão, por parte dos americanos para fins militares. "A política do presidente George W. Bush é belicista e o Brasil não deve seguir este caminho. O Brasil deve continuar neutro nestes conflitos internacionais, sempre buscando a paz".
Sobre o Fundo Monetário Internacional (FMI), Garotinho comentou que o PT deve se posicionar com mais clareza quanto às revisões das metas do acordo com o Fundo. "O país tem que ter margem para crescer. Se não, vão colocar uma camisa-de-força no Lula e ele vira um Fernando Henrique, sem dinheiro para fazer nada".
O ex-governador falou ainda que se o PT disser não ao documento, ele não vai apoiar Lula no segundo turno. "Queremos marcar a nossa posição. Não temos pretensão alguma de participar de governo. Queremos deixar claro que o PSB é um partido de esquerda e o PT é outro partido de esquerda. Não é adesão, é apoio. Buscamos uma mobilização nacional para ajudar o país a sair da crise provocada pelo atual governo".
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