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Presidência
Quinta, 26 de setembro de 2002, 11h04 
Garotinho critica governo por não cumprir metas de inflação
 
Lidia Neves
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O candidato à Presidência Anthony Garotinho (PSB) afirmou hoje que pretende estabelecer metas de inflação "que possamos cumprir" e criticou o governo Fernando Henrique Cardoso por não cumprir suas metas. "Vamos ser realistas, não vamos enganar a população. O governo estabelece metas que não cumpre", disse o presidenciável na sabatina do jornal O Estado de S. Paulo. Garotinho refutou a idéia de que inflação é incompatível com crescimento econômico, citando exemplo de países europeus.

Na opinião de Garotinho, é possível baixar os juros em 4 pontos percentuais e ainda gerar crescimento, sem afugentar os investidores estrangeiros. A taxa de juros brasileira ainda ficaria maior que a de outros países em desenvolvimento, segundo o candidato. Esta medida serviria para gerar R$ 24 bilhões que, somados aos R$ 40 bilhões de gastos flexíveis do Orçamento da União, seriviriam para aumentar o salário mínimo para R$ 280 ainda no primeiro ano de governo.

A diminuição dos juros - "o governo tomando dinheiro dos bancos" - serviria também para gerar créditos para aquecer a economia e gerar empregos, segundo o candidato, que não quis prometer uma meta de postos de trabalho. "Não admito que alguns candidatos pensem que o povo é bobo e cheguem na TV dizendo que vão gerar tantos empregos, como se fosse um decreto".

Sobre o acordo com o Fundo Monetário Internacional (FMI), Garotinho pretende renegociá-lo através de mecanismos que possibilitem ao Brasil voltar a crescer. O candidato voltou a criticar o presidente por usar como índice o superávit primário. "O governo aumentou a carga fiscal e não teve superávit fiscal, só superávit primário, que é o que entra antes de o país pagar suas contas. Isso não é crescimento".

Garotinho disse que não pretende manter Armínio Fraga na presidência do Banco Central, porque ele "representa só um setor da economia, o sistema financeiro". O candidato pretende colocar no posto uma pessoa que represente todos os setores da economia, em uma estrutura de representação parecida com a norte-americana: representantes da economia, notório saber econômico, sistema financeiro e setor político.


 

Redação Terra