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Presidência
Segunda, 23 de setembro de 2002, 13h31 
Garotinho busca voto gaúcho para encostar em Serra
 
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O candidato do PSB à Presidência da República, Anthony Garotinho, afirmou na noite de ontem em Pelotas, no Rio Grande do Sul, ter certeza de que estará no segundo turno das eleições contra Luiz Inácio Lula da Silva, da aliança liderada pelo PT. "O candidato José Serra perdeu muito tempo atacando os outros e esquecendo de apresentar propostas de governo. O resultado foi a estagnação da candidatura governista nas pesquisas", avaliou Garotinho.

Ele desembarcou em Pelotas às 19h25 e seguiu para um comício no bairro Fragata. Pela primeira vez desde o início da campanha, veio acompanhado da mulher, Rosinha Garotinho, que lidera as pesquisas para o governo do Rio.

Com 15% das intenções de voto, quatro pontos percentuais atrás do segundo colocado José Serra, segundo pesquisa Datafolha divulgada neste fim de semana, Garotinho prometeu incentivos fiscais às indústrias que se instalarem no Sul."Precisamos trazer a industrialização para cidades como Pelotas e Bagé, municípios que já foram ricos no passado!, discursou Garotinho para cerca de mil pessoas. Depois, o candidato e a mulher seguiram de carro para Rio Grande, a 65 quilômetros de Pelotas, para um jantar com líderes do PSB na Churrascaria Leão.

O ex-governador do Rio de Janeiro disse que não pretende mudar a estratégia de campanha para chegar ao segundo turno. Garotinho afirmou que o horário eleitoral gratuito do rádio e da televisão continuará reservado a propostas de governo e que os ataques aos adversários ficarão restritos aos debates.

O candidato do PSB não perdeu a chance, porém, de criticar a campanha do tucano José Serra. "É preciso que o eleitor não se deixe iludir pelas promessas do candidato governista. Ele representa a repetição dos erros do governo Fernando Henrique", disse.

Anthony Garotinho aproveitou a queda na diferença entre ele e Serra para tentar sensibilizar o eleitor gaúcho sobre o "risco de Lula ser o único candidato de oposição no segundo turno". "É preciso que o eleitorado escolha dois oposicionistas para o segundo turno. Se Lula ficar sozinho, todas as forças conservadoras vão se unir contra ele", disse.

O candidato também não poupou o petista de ataques. "Respeito Lula, mas a ele falta experiência administrativa", afirmou Garotinho, quase que num coro com a estratégia usada durante a semana passada pela campanha de José Serra contra Lula no horário eleitoral do rádio e da televisão.

Garotinho voltou a acenar com o salário mínimo de R$ 280 aliado a bandeiras caras aos gaúchos: uma política de incentivos fiscais que permita ao Estado atrair indústrias, a recuperação da malha rodoviária para melhorar o escoamento da produção e a implantação de agroindústrias que agreguem valor à agricultura e à pecuária.

Garotinho ficou uma hora e meia na principal cidade da região sul do Estado. O roteiro político pelo Rio Grande do Sul seria retomado na manhã de hoje. O candidato faria um comício em Santana do Livramento, na fronteira com o Uruguai, e deveria chegar a Santa Maria, no centro do Estado, ao meio-dia.
 

Reuters

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