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Presidência
Sexta, 20 de setembro de 2002, 20h43 
Analistas dizem que voto evangélico não garante vaga a Garotinho
 
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Ao contrário do que advoga o candidato do PSB à Presidência, Anthony Garotinho, o voto dos evangélicos não lhe oferece uma grande vantagem na disputa pelo Palácio do Planalto, segundo especialistas.

Membro da Igreja Presbiteriana, Garotinho afirmou recentemente que os números dos institutos de pesquisa não retratam o seu verdadeiro desempenho junto ao eleitorado, porque as sondagens não classificam os entrevistados por religião.

Como 26 milhões de brasileiros ou cerca de 15% da população são evangélicos, segundo o Censo 2000 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), e sua candidatura tem notoriamente um viés religioso, o ex-governador do Rio de Janeiro contabiliza mais votos do que os mostrados pelos institutos.

De acordo com o candidato, que segue atrás de seus principais adversários mas já empatou tecnicamente em terceiro com o candidato da Frente Trabalhista, Ciro Gomes, pelo Ibope, o percentual de evangélicos atualmente já seria de 18%.

Mas, para pesquisadores, a transferência do voto do evangélico para Garotinho não é necessariamente automática.

"Os evangélicos no Rio de fato sustentam sua candidatura e em sua grande maioria têm votado nele, mas ele não conseguiu essa penetração no restante do Brasil," disse Paulo Guimarães, diretor do instituto GPP, que acompanha especificamente o voto dos evangélicos.

Segundo Guimarães, Garotinho tem 50% das intenções de voto entre os evangélicos no Rio de Janeiro, onde o candidato, eleito em 1998, foi governador por três anos. Mas nacionalmente, disse, ele não tem nem 30% do eleitorado evangélico.

Guimarães argumenta que a falta de recursos e o pouco tempo de campanha para atingir o eleitorado nacional justificam as estatísticas.

Há 11 anos no mercado, a GPP faz pesquisas independentes semanalmente com mais de 4 mil entrevistas em cerca de 15 Estados e acompanha a trajetória de Garotinho desde sua primeira tentativa de se eleger governador do Rio, em 1994.

Para Alessandra Aldé, cientista do Laboratório de Pesquisa em Comunicação Política e Opinião Pública do Instituto Universitário de Pesquisas do Rio de Janeiro (Doxa/Iuperj), o pequeno crescimento de Garotinho nas pesquisas se deve mais à receptividade do eleitor às suas propostas e à maneira como se apresenta no programa eleitoral.

"A minha impressão é que, de modo geral, o programa do Garotinho está sendo bom. É um programa bem populista que se coloca claramente na oposição e se apóia em mitos políticos muitos fortes como JK e Getúlio Vargas," disse ela.

Analistas políticos dizem que ancorar a campanha no eleitorado evangélico é uma estratégia de efeitos limitados e pode ser nociva à campanha.

E Garotinho parece saber disso. Embora ele não perca a oportunidade para pedir votos aos fiéis nos eventos religiosos de que participa, a religião não é o carro-chefe de sua campanha. Sua principal promessa é elevar o salário mínimo, atualmente de R$ 200, para R$ 280 e retomar o crescimento econômico.

"Numa eleição majoritária como essa não se pode fixar num único segmento," disse Luiz Lourenço, também pesquisador da Doxa-Iuperj. "A estratégia que ele adotou no horário eleitoral foi mais ampla."

Segundo os analistas, a disputa pela Presidência nas eleições de outubro ainda não está definida, mesmo com o candidato da coligação liderada pelo PT, Luiz Inácio Lula da Silva, em larga vantagem em relação ao segundo colocado, o candidato governista José Serra (PSDB-PMDB).

"Não considero a 20 dias da eleição que nenhum dos três candidatos esteja fora da disputa, mas não por causa da religião," disse Guimarães, do GPP. "Agora, crescer pela religião não dá mais tempo."
 

Reuters

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