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O candidato pelo PSB à Presidência, Anthony Garotinho, criticou duramente hoje o estilo diplomático do presidente Fernando Henrique Cardoso, acusando-o de só ter feito promoção de si mesmo nos seus oito anos de mandato em vez de defender os interesses do país nas viagens e fóruns internacionais.
Perguntado no debate promovido pela Fundação de Altos Estudos de Política e Estratégia, ligada à Escola Superior de Guerra (ESG), se seguiria a diplomacia presidencial, Garotinho arrancou aplausos da platéia ao responder que a política adotada por Fernando Henrique só serviu para melhorar sua imagem no exterior.
"Diplomacia presidencial, não. Queremos diplomacia de fato. Não podemos usar o cargo de presidente da República como trampolim de promoção pessoal," disse ele a cerca de 100 militares, embaixadores e civis.
O candidato do PSB disse que o que deve ser feito é uma política de Estado e não de governo para que o Brasil possa desempenhar seu papel de líder na América do Sul e ser devidamente reconhecido no cenário mundial.
Enfatizando o discurso nacionalista de seu partido, Garotinho, cuja candidatura ganhou pequeno fôlego em relação a seus principais adversários nas recentes pesquisas eleitorais, disse aos convidados da Fundação, que reúne militares e civis, o que eles queriam ouvir, e foi aplaudido várias vezes por isso.
Garotinho fez uma defesa contundente das Forças Armadas, ressaltando a necessidade de reaparelhar o Exército, a Marinha e a Aeronáutica para recuperar o poder militar, que, segundo ele, foi dilapidado nos últimos anos.
Para o candidato, fortalecer as Forças Armadas e a política de defesa nacional é condição para que o Brasil se posicione melhor nos vários organismos internacionais. "Quando você vai discutir economia na Organização Mundial de Comércio, discutir com o Fundo Monetário Internacional, o tratamento dado a um país com sistema de defesa é outro. Não podemos prescindir que o Brasil não seja respeitado por não ter um sistema de defesa adequado," disse ele.
O ex-governador do Rio de Janeiro concordou que é preciso aumentar o efetivo do Exército na Amazônia para garantir a integridade do solo brasileiro e acusou o atual governo de estar sendo negligente por não monitorar de forma apropriada quem está ocupando a região.
Mas o candidato mudou o ritmo do debate quando comentou as atuais negociações para a compra de aviões pela Força Aérea Brasileira (FAB). "Nós não queremos um novo Sivam. Todo mundo sabe o que foi o Sivam. Nós não queremos agora na compra dos aviões um novo escândalo Sivam," disse Garotinho.
Implantado em agosto deste ano, o Sistema de Vigilância da Amazônia, sistema de radar de alta tecnologia para monitorar a região, causou polêmica depois que a companhia norte-americana Raytheon ganhou a concorrência para desenvolver o projeto. Na época, a imprensa acusou oficiais militares e políticos de favorecer a empresa norte-americana por questões diplomáticas.
Mais recursos para defesa
O candidato também mostrou-se favorável à destinação de mais recursos para fortalecer os institutos de pesquisa de tecnologia de defesa e para o desenvolvimento pela Marinha de um submarino movido a energia nuclear.
Ele manifestou-se ainda contra o Tratado de Não-Proliferação de Armas Nucleares, ao qual o Brasil já aderiu, e ao acordo tramitando no Congresso para o uso da Base de Alcântara, no Maranhão, pelos Estados Unidos.
"Sou a favor que o Brasil defenda nos fóruns internacionais a erradicação total de armas nucleares. Enquanto isso, porque vamos assinar um tratado que permite que alguns tenham armas nucleares e outros não", questionou.
Sobre a Base de Alcântara, Garotinho disse que o acordo só serviria se houvesse possibilidade de transferência de tecnologia entre os Estados Unidos e o Brasil, o que não estaria contemplado na atual proposta.
Ao finalizar o debate, Garotinho aproveitou para mandar um recado para seus rivais, principalmente o candidato da coligação encabeçada pelo PT e líder nas pesquisas, Luiz Inácio Lula da Silva.
"Eu ofereço ao Brasil uma mudança com experiência. Não vou governar como um principiante," disse, numa referência à falta de experiência administrativa do candidato petista.
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