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Marinaldo Alves Santos, 45 anos, (o Gaguinho), ex-secretário parlamentar do senador José Eduardo Dutra (candidato ao governo do Estado pelo Partido dos Trabalhadores), confirmou em depoimento prestado à polícia que o trio elétrico "Bombeirão", comprado por ele com o dinheiro desviado da indenização dos ex-funcionários da Petromisa, foi utilizado na campanha de 2000 da coligação "Aracaju para Todos" (formada pelos partidos PT, PC do B, PCB e PSTU) que elegeu o prefeito de Aracaju, Marcelo Déda, noticiou o jornal Correio de Sergipe.
O prefeito Déda e o senador Eduardo Dutra poderão prestar esclarecimentos à Polícia Federal, órgão que ficará encarregado de apurar esse eventual crime eleitoral. O pedido de abertura de inquérito na PF foi feito pelo promotor da Comarca de Maruim, Orlando Rochadel, à Justiça no último dia 12 de agosto.
Os desvios feitos pelo ex-assessor do senador Eduardo Dutra quase atingiram a impressionante cifra de R$ 1,2 milhão. Foram lesados aproximadamente mil trabalhadores. O valor total da ação trabalhista foi de R$ 29.051.060,95.
Gaguinho foi indiciado pela polícia por estelionato (artigo 171 do Código Penal), falsidade ideológica (artigo 299) e associação em quadrilha ou bando (artigo 288). Ele garante ter praticado sozinho, e sem o auxílio de terceiros, os desvios dos valores. No entanto, mais três pessoas foram indiciadas pela polícia: Élida Maria Cândida Pereira Santos (mulher de Gaguinho), funcionária do Banco do Estado de Sergipe, Banese, Djenal Mendonça Andrade e Aldermam Correia Costa, que não eram beneficiados pelo processo trabalhista, mas receberam quantias expressivas.
Marinaldo Alves Santos permaneceu exercendo o cargo de secretário parlamentar do senador Eduardo Dutra até abril do ano passado, quando o escândalo tornou-se público. O dinheiro começou a ser desviado em março de 2000 e a fraude só terminou em janeiro de 2001. Eduardo Dutra exonerou Gaguinho somente três meses depois (em 24 de abril de 2001).
A fraude foi descoberta porque o ex-assessor de Eduardo Dutra começou a apresentar sinais de riqueza, incompatíveis com seus rendimentos. De acordo com a ação pública, assinada pelo promotor Rochadel, Gaguinho começou a gastar muito dinheiro, quando montou a empresa Gago Produções Ltda; que funciona na avenida Maranhão 1150, no bairro 18 do Forte; viajava muito, inclusive custeando as despesas de terceiros; dava presentes caros para amigos, como automóveis; comprou vários caminhões e automóveis pequenos, além de vários imóveis residenciais e fazendas. Todos esses bens estão à disposição da Justiça.
Em depoimento prestado à polícia, no dia sete de janeiro deste ano, no escritório do seu advogado, no edifício Paulo Figueiredo, o senador Eduardo Dutra chegou a declarar que "nos últimos três anos notei uma melhoria de padrão de vida do Sr. Marinaldo, mas achava compatível com os seus ganhos". Gaguinho prestava desde 1997 assessoria ao senador petista em contatos políticos no Estado de Sergipe. Como remuneração por esses serviços recebia um salário de R$ 3.600.
Em 1999, o senador Eduardo Dutra vendeu a Gaguinho a chave de um imóvel (um apartamento no Condomínio Pedras do Vale, localizado na avenida Nova Saneamento) por R$ 20 mil. O petista garantiu à polícia que essa teria sido a única transação comercial feita com o indiciado.
Eduardo Dutra e Gaguinho são amigos desde 1985, quando trabalhavam na extinta Petromisa, no setor de Geologia. Os dois participaram da fundação do Sindimina, fazendo parte da diretoria sindical de 1986 até 1995. O senador disse à polícia que "durante esse tempo nutri com o Sr. Marinaldo uma relação muito próxima tanto profissional como familiar". O laço de amizade era tão estreito entre os dois que quando o petista foi eleito senador, Gaguinho tornou-se assessor de Eduardo Dutra.
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