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PDT desbravou novo trabalhismo
Às vésperas de voltar do exílio, em 1979, o engenheiro gaúcho Leonel de Moura Brizola recorreu às metáforas para ensinar como se monta um partido político:
– Primeiro, abre-se uma picada. Depois, vêm os sinalizadores. Mais tarde, a terraplenagem. Em seguida, coloca-se o asfalto. Só então chega o pessoal que usa a estrada.
Quando desembarcou no Brasil, graças à anistia política de 1979, o ex-governador do Rio Grande esperava encontrar aberta pelo menos a picada. Pretendia ressuscitar o PTB. Bastaria aliar ideais marxistas ao trabalhismo de Getúlio Vargas. Sob a velha sigla, vingaria o “socialismo moreno”.
Nada feito. A advogada Ivete Vargas, sobrinha de Getúlio, reivindicou a legenda. Brizola perdeu a disputa na Justiça.
– Levaram a nossa sigla, mas ficaram exclusivamente com o invólucro – tripudiou na época.
O engenheiro reuniu os correligionários e foi abrir picada. Primeiro, pensou em PTND. Depois, PTD. Terminou em PDT, Partido Democrático Trabalhista.
A legenda foi fundada em junho de 1980. Logo vieram os tempos da terraplenagem. Nas eleições de 1982, o PDT obteve a sua primeira grande vitória popular. Elegeu Brizola governador do Rio de Janeiro. Em 1985, conquistou as prefeituras de Porto Alegre, Cuiabá e Rio.
Com a bandeira do ensino e tendo o antropólogo Darcy Ribeiro e o líder comunista Luís Carlos Prestes como apoio, o PDT lançou Brizola como candidato à Presidência em 1989. O partido ficou em terceiro lugar, quase emparelhado com o segundo mais votado, o PT de Luiz Inácio Lula da Silva. No segundo turno, Brizola apoiou Lula. Transferiu um bocado de votos, não o suficiente para derrotar Fernando Collor (PRN).
O partido se saiu melhor nas eleições de 1990. Elegeu uma bancada de 52 parlamentares e conquistou o posto de terceiro maior partido no Congresso. Quatro anos depois, veio a crise. O número de cadeiras caiu para 40 e, dali para frente, minguou ainda mais por conta de expulsões e saídas voluntárias.
Na eleição presidencial de 1994, Brizola ficou em quinto lugar. Perdeu até para Orestes Quércia (PMDB) e para o cardiologista Enéas Carneiro (Prona), sem nenhuma tradição política.
Em seus redutos mais renhidos, o Rio Grande do Sul e o Rio de Janeiro, o PDT perdeu espaço para outros partidos, como o PT. Hoje, soma 22 deputados federais e ocupa o sexto lugar em representação na Câmara. Os dois governadores eleitos pelo PDT em 1994 debandaram: Dante de Oliveira, de Mato Grosso, para o PSDB. Jaime Lerner, do Paraná, para o PFL.
O PDT não terá candidato próprio à Presidência da República nas eleições de 4 de outubro. Asfaltado o caminho, o partido de Leonel Brizola concorre como vice na chapa de Lula (PT).
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